A Ponte D. Luís. No século xx, o FC Porto convivia mal com as saídas à capital e ao Sul do país. Quando Pedroto assume o comando técnico acaba-se a brincadeira. Responsável por exorcizar esse medo através da provocação contra a macrocefalia lisboeta, confundindo o futebol e a cidade, Pedroto ganha o respeito de todos os adeptos do FCP – além de bater o pé aos grandes Benfica, Sporting e Belenenses.
O canal da Mancha. No século xxi, o FC Porto convive terrivelmente com as saídas do continente europeu. Ao 0-4 com o Arsenal em Setembro de 2008 e ao 0-5 com o mesmo Arsenal em Março de 2010, os portistas juntam mais um resultado desastroso (0-4 vs. Manchester City), desta vez a culminar com a eliminação mais madrugadora das Eurotaças desde 2004/05.
NOW WHAT? O Manchester City será mais forte que o FC Porto? É. Prova disso são as duas vitórias (ao FC Porto, isso não lhe sucede desde 1987, com o Real Madrid de Michel, Butragueño e Hugo Sãnchez). Mas a diferença entre as duas equipas não vale cinco golos. Grande parte da culpa desse abismo é do FC Porto, a modos que desastrado a defender. Rectificamos: completamente desastrado.
O FC Porto só é o FC Porto, personalizado e com posse de bola por 17 segundos. Otamendi faz um passe disparatado e disso se aproveita o City para se adiantar, pelo argentino Kun Agüero, que já havia marcado o golo da vitória (2-1) no Dragão – sem esquecer aquele bis em Alvalade (2-2) que arreda o Sporting da Taça UEFA 2009/10.
Se antes do jogo a eliminatória está mal parada para o FCP, com o golo de Agüero nem se fala. Mas o FC Porto ainda acredita. Atira-se de cabeça, planta--se no meio-campo do City e discute o resultado. “Bastam” dois golos para empatar a eliminatória, mas o domínio territorial e de posse de bola não se traduz em claras ocasiões de golo.
E ANCORA? Já o City é o contrário. Recua no campo e deixa-se dominar. Pudera, é treinado por um italiano: Roberto Mancini, que elimina o FC Porto como jogador da Sampdoria e um golo nas Antas (Taça das Taças 94/95).
O FC Porto ataca, ataca, ataca, o City assusta. Sempre por Agüero. Primeiro à barra (29’), depois ao lado (41’). Isto são favas kuntadas. E a segunda parte confirma-o de forma inequívoca, embora o ascendente do FCP só se confirme pelo golo anulado a James, por fora-de-jogo posicional de Hulk.
O City parece adormecido mas de repente acorda. E sentencia a eliminatória. Tudo começa em Maicon, que vem da direita e volta ao meio com a entrada de Sapunaru para o lugar de Otamendi, lesionado pelo brasileiro num pontapé de bicicleta acrobático, uffff. Ora bem, Maicon corta a bola numa jogada inofensiva e a bola cai aos pés de Agüero, que faz como se estivesse numa passagem de nível (sem guarda, claro). Pára, olha, escuta e toma lá Dzeko: 2-0. Rolando protesta com o árbitro, diz que é fora-de-jogo (não, não é, porque Maicon – oh my God!, it’s him again – põe Dzeko em jogo) e vê o segundo amarelo. É da maneira que já não joga para a próxima. Lá para Setembro.
E AGORA? O pesadelo continua. Alex Sandro e Fernando desentendem-se no lado esquerdo, Pizarro aproveita para combinar com Dzeko e dele sai o passe para o amortie de David Silva com a baliza aberta.
No instante seguinte, 4-0 após jogada confusa na área portista e toque infeliz de Sapunaru para o golo de Pizarro. O City goleia sem saber muito bem como, mas perde Yaya Touré para a próxima eliminatória (Sporting ou Légia Varsóvia?), por suspensão. O FC Porto perde bem, e por culpa própria, no habitual fado em Inglaterra – nem uma vitória em 16 visitas, mais 13 derrotas e 10-46 em golos. O canal da Mancha já era. Tal como a Liga Europa. Segue-se a Ponte D. Luís, para discutir o campeonato (e a Taça da Liga) com o Benfica.



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