É considerado o melhor futebolista chinês da história. 1,80 metros de altura, restaurador do orgulho nacional, jogou (e treinou) para ganhar
Vamos aos títulos: oito campeonatos da primeira divisão de Hong Kong, sete dos quais consecutivos; com a selecção, quatro vezes vencedor nos Jogos do Extremo Oriente, precursores dos Jogos Asiáticos. E, já agora, enquanto treinador levou a selecção chinesa à vitória nos Jogos Asiáticos por duas vezes.
O seu nome é Li Huitang e ficou para sempre na história do desporto chinês. Ganhou o título de “rei do futebol asiático” e foi um fenómeno de popularidade incomparável para a época. Huitang nasceu em Hong Kong, mas, chegada a altura de entrar para a escola, o filho de Li Hao foi enviado para a terra do pai, na província de Guang Dong. Foi no pequeno distrito de Wuhua que Huitang começou a jogar à bola. À saída da escola, os rapazes reuniam-se algures na aldeia. Ou usavam laranjas ou faziam bolas de pano a partir das suas roupas, com as quais jogavam. O primeiro golo de Li terá sido aqui.
Por volta dos dez anos regressa a Hong Kong. Aos 17 já joga no South China, o melhor clube da cidade. A sua prestação é tão boa que rapidamente é convocado para a selecção nacional. Em Osaka, na sexta edição dos Jogos do Extremo Oriente, Li arrasa e ajuda a China a chegar à vitória. Uns meses depois brilha num jogo do South China contra o campeão australiano: cinco minutos de jogo e três golos de rajada. Isto com apenas 18 anos. A Austrália fica tão admirada que lhe concede uma medalha.
Em 1925, Huitang muda-se para Xangai, onde começa a jogar no Happy China. A década de 20 vê o pico da sua carreira e o avançado maravilha Xangai. “Li Huitang contribui muito para o futebol chinês”, pode ler-se na imprensa da altura. “Um mensageiro que liga o futebol de Xangai e Hong Kong. Ele é um dos melhores futebolistas de Xangai e da China que a história já viu.” Os elogios abundam para aquele que tem a alcunha de “rei futebolista da nossa geração”. Quando o Happy China vence uma equipa britânica por 4-1, o orgulho nacional da China rebenta pelas costuras. Diz-se que foi a primeira vez que uma equipa chinesa derrotou uma estrangeira, o que justifica o título de um jornal da época: “Não somos os doentes da Ásia.” O contributo de Huitang é tão importante nessa e em vitórias seguintes contra equipas estrangeiras, que rapidamente se espalha um ditado popular que diz: “Mei Lanfang para a ópera e Li Huitang para o futebol.” Lanfang era precisamente o artista mais famoso da tradicional Ópera de Pequim na altura, e era considerado um símbolo da resistência chinesa ao domínio estrangeiro.
Aos 26 anos, Li volta a Hong Kong e ao seu antigo clube, o South China, como capitão de equipa. Pelo meio, é enviado como capitão da selecção nacional aos Jogos Olímpicos de 1936. Em 1939 bate o seu próprio recorde e marca sete golos num só encontro, contra a selecção da Malásia. Mas com a Segunda Guerra Mundial vem a ocupação japonesa de Hong Kong e Huitang decide voltar à terra onde cresceu e ao primeiro campo que o viu jogar. Lá cria um clube ao qual dá o nome da terra, o Wuhua, e ajuda a criar a equipa da província de Guang Dong. Realiza torneios de beneficência e usa todo o dinheiro para ajudar a repelir a ofensiva japonesa.
A decisão de se retirar chega aos 42 anos, mas depressa arranja o que fazer. Um ano depois é convidado para treinador da selecção do seu país, cargo que rapidamente aceita. Os resultados são fenomenais. Em dois meses a equipa joga 27 partidas e não perde nenhuma, com 23 vitórias e quatro empates. Os chineses andam loucos com o futebol e os dois títulos nos Jogos Asiáticos (em 1954 e 1958) são conseguidos sem uma única derrota na competição. Li torna-se presidente da Confederação Asiática de Futebol e vice-presidente da FIFA em 1965, feito inédito para um chinês.
Em 1979, com 74 anos, Lui Huitang faleceu na sua cidade, em Hong Kong.



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