Guimarães vence Benfica
D.RPrimeira derrota do Benfica no campeonato surgiu à 19.ª jornada. Toscano marcou o golo que decidiu o encontro
O fim-de-semana foi marcado pela conversa das fortalezas. Pedro Caixinha, treinador do Nacional, afirmou que o estádio da Choupana era a da equipa e goleou a Académica por 4-1 e Sá Pinto, no Sporting, procurou usar o factor Alvalade para recuperar a confiança dos jogadores e alcançar uma vitória moralizadora. Rui Vitória, treinador do Vitória de Guimarães, não fugiu à regra: “Só há três estádios no país em que o Benfica joga fora: no Dragão, em Alvalade e aqui.”
O D. Afonso Henriques era a fortaleza dos minhotos e a baliza de Artur na primeira parte parecia ser uma zona de guerra. Com o jogo a começar intenso mas sem grande discernimento, os passes falhados e os erros de Artur nos pontapés de baliza (lá está, o relvado) faziam a diferença. No ataque, o Benfica tinha poucas ideias. Rodrigo foi titular e mostrou estar sem limitações, mas faltava inspiração a Gaitán e Aimar, dois trunfos fulcrais do ataque encarnado.
Nilson e Artur não passaram de espectadores até que as bolas paradas começaram a fazer a diferença. O Benfica de Jesus é famoso por isso mas continua a surpreender os adversários. Mas, felizmente para os vitorianos, Nolito acertou num adversário e na recarga atirou para fora. Pouco depois, foi Gaitán a atirar ao lado. Falhou o Benfica, marcou o Vitória. De bola parada, claro.
Não foi o primeiro livre para a área de Artur mas foi o único em que a passividade da defesa do Benfica custou caro. Olímpio dobrou o cruzamento ao segundo poste e a bola percorreu metros de relvado. João Paulo falhou o remate mas Toscano não desperdiçou a oportunidade de inaugurar o marcador aos 37 minutos.
O cenário era pouco habitual. Nas duas únicas vezes que os encarnados tinham ido para o intervalo a perder (Dragão e Braga), não venceram. Por isso, houve uma tentativa de aumentar o ritmo para forçar o empate até ao descanso. A iniciativa não só não surtiu efeito como ainda teve um resultado perigoso, com Luisão e Artur a evitarem que os vitorianos aproveitassem os ataques rápidos para dilatar a vantagem.
A segunda parte começou da mesma forma que a primeira tinha acabado: com o Benfica a apostar no ataque. Mas a incapacidade de desequilibrar mantinha-se. O domínio da bola não estava em causa, nem o Vitória procurava rivalizar nesse campo, mas não se manifestava nas oportunidades de perigo. Por outro lado, a postura expectante dos vimaranenses dava resultado em contra-ataques que deixaram Artur em estado de alerta máximo. A primeira grande chance foi mesmo do V. Guimarães, mas Toscano falhou o 2-0. Na resposta, foi Nilson a brilhar ao negar o golo a Nolito.
O Benfica estava desinspirado e Jorge Jesus, tal como na Rússia, demorou muito tempo a mexer. A entrada de Witsel (Matic) não foi suficiente para alterar o rumo do jogo e Bruno César e Nélson Oliveira só entraram já numa fase de desespero em que a equipa de Rui Vitória tinha abdicado de atacar e procurava apenas destruir as iniciativas encarnadas. Pelo meio, Luisão viu amarelo e vai ficar de fora na próxima jornada, em Coimbra.
Depois de uma série de onze vitórias em todas as competições, o Benfica de Jesus sofreu agora a segunda derrota consecutiva e a primeira no campeonato. O FC Porto está a dois pontos e o clássico de 2 de Março está cada vez mais importante.



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