Tiger Woods
ReutersTiger Woods podia responder “é o que é”, como disse em tempos. Em vez disso, parece preocupado com o que Hank Haney pode revelar
“O Tiger Woods e eu seremos sempre amigos.” Esta foi a frase proferida por Hank Haney quando terminou o seu percurso como treinador do golfista mais famoso do mundo. Estávamos em Maio de 2010 e os dois homens separavam-se, aparentemente sem mágoas nem ressentimentos. Haney continuou a sua vida como instrutor de golfe e Woods continuou a sua carreira treinado por Sean Foley. Só que agora, quase dois anos depois, a relação entre os dois parece ter azedado. Tudo por causa de um livro.
Aparentemente, o livro de Hank Haney sobre os seis anos que passou como treinador de Woods, é pouco lisonjeiro para o golfista. A começar pelo título. “The Big Miss” pode ser traduzido como “O Grande Falhanço”. E a polémica não fica por aqui. Hoje em dia o marketing é tudo, razão pela qual o livro será lançado a 27 de Março, precisamente uma semana antes de um dos maiores torneios do golfe mundial, o Masters. Embora a maior parte das pessoas ligadas a Woods tenha assinado um acordo de confidencialidade, Haney diz que não assinou nada e que é um homem livre para falar.
Talvez por tudo isto, Tiger Woods já se pronunciou sobre o assunto e as suas declarações foram pouco amigáveis. “Eu penso que é pouco profissional e estou muito desapontado”, disse o golfista numa entrevista telefónica. “Especialmente porque é alguém com quem eu trabalhei e em quem confiei como amigo. Já houve outros livros tendenciosos sobre mim e acho que as pessoas compreendem que este livro é para ganhar dinheiro.” E Tiger rematou: “Não vou perder o meu tempo a lê-lo.”
Tiger Woods tem direito a estar indignado, mas segundo Hank Haney o livro não é assim tão prejudicial à imagem do antigo número um. Quanto ao título, o treinador explica-o abertamente: “Tem vários sentidos. ‘Big miss’ faz parte do jargão do golfe. É um falhanço numa tacada e isso já fez obviamente parte da carreira dele. É falhar uma oportunidade. Foi mesmo daí que tirámos a ideia. Foi uma oportunidade falhada que eu e o Tiger tivemos ao trabalhar juntos. Isso está tudo explicado no livro.” Mas as outras palavras de Haney sobre Woods foram, até agora, o mais elogiosas possível. “Eu estava numa posição em que podia observar grandeza e qualquer pessoa que observa grandeza gosta de a partilhar. Sinto que escrevi um livro que é justo e honesto. Faz parte da história do golfe.” Quanto à reacção de Woods, Haney respondeu prontamente. “Não sei se percebo a parte da falta de profissionalismo. Ele não leu o livro, há muita coisa positiva lá. Eu acho que ele é o melhor golfista que já existiu.”
Haney assegura que seis anos com Woods se traduziram em 110 dias por ano na sua companhia e que em tantos dias é impossível não observar muita coisa. No entanto, o treinador garante que nada sabia sobre as infidelidades do golfista, que levaram ao escândalo quase destruidor da sua carreira. “Eu não sabia de nada sobre as raparigas. Isso é algo que eu não posso comentar especificamente.” Haney pronuncia-se antes sobre algum afastamento de Woods em relação à sua família. Mas apenas isso.
Certo é que alguma coisa preocupa o golfista, que se tem mostrado incomodado. No último torneio de Abu Dabi, Woods respondeu enfadado a uma pergunta sobre o livro de Haney. “Estou desapontado? Sim. Frustrado? Certamente, porque continuo a ter de responder a estas perguntas.” E embora tenha chegado à final do torneio Woods acabou por perder contra Robert Rock. Distraído pela polémica de Haney, talvez.



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