Menos de um ano após o fim da guerra civil e 20 depois do único título, os Elefantes vão à procura da segunda vitória na CAN
A Líbia resistiu à guerra civil, à intervenção da NATO, às marcas do regime de Muammar Kadhafi para se qualificar para a CAN-2012. Não passou da fase de grupos, é certo, mas mostrou que há vida depois do sofrimento – que se mantém bem vivo. A queda de Kadhafi está a moldar uma Líbia diferente, mas também afecta outros países africanos. Os rebeldes tuaregues – povo nómada que faz vida nas regiões desérticas da Mauritânia, do Mali, da Argélia, do Níger e da Líbia – estão a aproveitar o armamento que o antigo líder líbio deixou para semear o terror, sob o nome de Movimento Nacional de Libertação de Azawad (a zona nordeste do Mali).
As revoltas naquela zona de África não são novidade, têm raízes ao longo de todo o século xx. Agora ganham uma nova dimensão, visível sobretudo no Norte do Mali (e no Níger). Com a morte de Kadhafi, muitos tuaregues radicados na Líbia voltaram ao território maliano e as alegadas ligações do MNLA à Al-Qaeda inquietam ainda mais o governo.
Assim, o alívio da Líbia é também o tormento do Mali. No domingo, Seydou Keita – médio do Barcelona – marcou o penálti que derrotou o Gabão e apurou a sua selecção para as meias-finais. Em vez da festa fez um apelo: “Peço que parem. Não é normal, nós não fazemos isso. Precisamos de paz, somos todos malianos. Estamos a celebrar a nossa vitória, mas ao mesmo tempo estamos muito tristes.” Keita é a estrela do Mali, que ainda não encheu o olho a ninguém nesta CAN. Na fase de grupos esteve perto da corda bamba, nos quartos-de-final só se safou nos penáltis. Até agora vivera sempre no limite.
No futebol, a Costa do Marfim esteve do lado oposto: ganhou os seis jogos do apuramento para a competição e chegou às meias-finais só com vitórias. Mas há menos de um ano o país estava em guerra civil, num conflito armado entre as facções de Laurent Gbagbo e Alassane Ouattara, os dois principais candidatos às presidenciais de 2010.
A arrancada de Gervinho pelo corredor esquerdo (45’) decidiu esta guerra, travada só com bola. A Costa do Marfim ganhou (1-0), chega à final sem sofrer golos e, 20 anos depois, pode repetir a conquista da CAN.



Comente este artigo