Os três primeiros estão separados por cinco pontos a 11 jornadas do fim do campeonato. Ambos têm momentos difíceis pela frente e o Sporting, mesmo afastado do título, ainda vai ser importante para ajudar a decidi-lo
O Benfica perdeu as notas artísticas algures entre a viagem para Sampetersburgo e a visita ao V. Guimarães. Perdeu também os dois jogos, em dois relvados fracos, em condições adversas: na Rússia eram o frio e a neve; no Minho, o estádio e o ambiente. Rui Vitória bem tinha avisado. “Em Portugal o Benfica só joga fora em três campos: no Dragão, em Alvalade e em Guimarães.” O Vitória ganhou, o Benfica saiu derrotado pela primeira vez esta época na Liga. E ao ficar em branco terminou uma série de 37 jogos seguidos, em todas as competições, a marcar.
A única nota artística dos encarnados foi dada por Jorge Jesus na flash interview, quando lhe perguntaram se agora o Benfica estava numa situação mais delicada. “Ficou numa? Quem é que fica? O Benfica? Mais quê? Delicada? Quem está em primeiro? Não estou a perceber. Não estou a perceber a pergunta que me está a fazer. Quem está numa situação mais delicada são os que estão atrás do Benfica.”
A fuga à questão não mascarou os problemas do Benfica nem a nova realidade do campeonato. Os três primeiros estão separados por apenas cinco pontos e o FC Porto voltou a depender apenas de si próprio para ser campeão. Ou seja, o clássico de 2 de Março ganhou proporções dramáticas no caminho para o desfecho da Liga. E o Sp. Braga não pode ser esquecido, sobretudo quando vem numa série de 11 vitórias consecutivas nas provas nacionais. O mesmo é dizer que desde que perderam no Dragão, a 27 de Novembro, os bracarenses ganharam a todas as equipas portuguesas que lhes apareceram pela frente.
Jorge Jesus foi vítima dos erros, mas também da ausência de Javi García. Esta foi a terceira derrota do Benfica em 2011/12 – depois do Marítimo (oitavos-de-final da Taça de Portugal) e do Zenit. O médio espanhol não jogou em nenhuma delas. A opção de deixar Witsel no banco também não ajudou: os encarnados perderam o controlo do meio-campo. O belga haveria de entrar para o lugar de Matic aos 58’, na única substituição que o treinador fez até aos últimos cinco minutos. Jesus acreditou que o jogo se resolveria sozinho, subestimou o adversário e sobrevalorizou a reacção do Benfica. O resultado está à vista: a Liga reanimou.
Faltam 11 jornadas para o fim. E o que salta à vista no que sobra do calendário? À excepção da visita a Alvalade (26.a jornada), o Benfica tem os jogos mais complicados em casa: recebe o FC Porto (21.a), o Sp. Braga (25.a) e o Marítimo (27.a). No caso dos dragões, o cenário é mesmo o oposto – viaja à Luz (21.a), a Braga (26.a) e ao Funchal (28.a) e é visitado pelo Sporting (29.a).
Os bracarenses arrancam para a recta final do campeonato com o dérbi minhoto (em casa, na próxima segunda-feira). O momento mais crítico estará nas 25.a e 26.a jornadas, com um jogo na Luz e outro, com o FC Porto, em Braga. E para fechar a Liga vai a Alvalade.
Sá Pinto já não vai a tempo de relançar o Sporting nestas contas. A 13 pontos do primeiro lugar, o novo treinador tem objectivos mais realistas e menos ambiciosos. É possível que até o terceiro lugar já seja um passo demasiado largo para o que os leões conseguem dar. De qualquer forma, isso não impede que o Sporting seja um elemento decisivo nas contas do título.
Como já vimos, o Benfica é o primeiro a defrontar os leões. Nessa altura já terá jogado com FC Porto e Sp. Braga. Por isso, caso Jorge Jesus mantenha a liderança até ao dérbi, o Sporting será o último obstáculo de dificuldade máxima no caminho para o título. Depois ficam a faltar apenas Marítimo (casa), Rio Ave (fora), U. Leiria (casa) e V. Setúbal (fora). Da mesma forma, se o campeonato ainda estiver por decidir, FC Porto e Sp. Braga terão na equipa de Sá Pinto uma dor de cabeça nas duas últimas jornadas.
O calendário tem ainda alguns pontos curiosos. O Beira-Mar é a única equipa a visitar os três candidatos ao título. Por outro lado, o P. Ferreira também tem parte do desfecho da Liga nas mãos, ao receber o Benfica (22.a), o FC Porto (24.a) e o Sp. Braga (27.a). A Mata Real costuma ser um sítio propício a surpresas e nesta altura um deslize pode ser fatal. Estamos a entrar na fase mais delicada da época.



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