FCP é o segundo visitante português do City. O estreante é a Académica, praxada em 1970 com um golo aos 119’
Quando o Manchester City nasce, em 1880, o futebol em Portugal está ainda longe de ser uma realidade. Os nossos primeiros campeonatos (regionais) só começam em 1906. Os anos passam e o City impõe-se no panorama inglês, com a conquista dos campeonatos em 1937 e 1968. A Europa segue-se dentro de momentos. É a Taça das Taças em 1969/70.
Nos quartos-de-final, o City apanha a Académica e sofre a bom sofrer. Em Coimbra, 0-0. Em Maine Road, também 0-0. É necessário um prolongamento. Em caso de empate, há terceiro jogo. Depois, moeda ao ar, que elimina a Académica na época anterior, com o Lyon. Tal não é preciso porque o número 11 (Tony Towers) marca aos 119 minutos. É a única vez que o City joga com uma equipa portuguesa na Europa – até ao FC Porto, claro.
Para discutir esta eliminatória renhida, o i fala com Artur Correia, o ruço, lateral-direito dos estudantes, mais conhecido por ter sido campeão português pelo Benfica (cinco vezes) e pelo Sporting (uma), entre 1972 e 1980. Nessa Académica de 1970, Artur é um miúdo de 19 anos.
“Chegámos aos quartos-de-final dessa Taça das Taças depois de eliminar os finlandeses do Kuopio [0-0 e 1-0] e os alemães do Magdeburgo [0-1 e 2-0]. Depois o Manchester City, uma equipa forte, com quatro internacionais ingleses, um deles o guarda-redes [Joe Corrigan].” Na altura o City é treinado por Joe Mercer. O adjunto chama-se Malcom Allison, futuro treinador do Sporting, em 1981/82.
“Em Coimbra, na primeira mão, o estádio encheu-se para ver o jogo à noite. Não era normal ver aquele ajuntamento de pessoas a uma quarta-feira. Foi impressionante a adesão popular. Duas semanas depois fomos a Manchester. Não nos adaptámos ao relvado nem nada. Não havia cá essas coisas. Os relvados eram todos iguais, não é como agora...”
E o jogo propriamente dito? “Nem saímos da nossa área. Aguentámos o 0-0 aos 90 minutos e depois no prolongamento. Só caímos aos 119’, com um golo de fora da área e às três tabelas. Nessa noite marquei o Francis Lee, também ele internacional inglês. Era mauzinho... como eu. Ainda nos embrulhámos duas ou três vezes.”
“No regresso a casa”, conta Artur, “comprei o álbum dos Beatles, lançado meses antes. O Abbey Road, aquele em que eles os quatro atravessam a passadeira. Comprei cinco LP e levei-os para amigos meus em Portugal.”



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