Dereck Chisora não só não conseguiu arrancar o título da WBC da cintura de Vitali Klitschko, como acabou detido depois de uma briga com o antigo pugilista David Haye
Um desfecho arrojado, à imagem de um campeão. Dereck Chisora ainda está longe de aterrar em Munique e já promete derrubar Vitali Klitschko em oito assaltos. Quer o cinto verde e dourado dos pesos pesados e, no regresso a Londres, tenciona comprar uma frota de táxis para juntar à excêntrica colecção de relíquias nacionais. Chisora é um tipo imprevisível, mas não pode imaginar que, depois de resistir de forma impressionante a Vitali, vai perder o título, envolver-se numa cena de pancada com David Haye e acabar detido pela polícia alemã para prestar esclarecimentos.
Dereck Chisora provocou o quanto pôde. Parte em clara desvantagem para a disputa pelo título mundial do WBC (World Boxing Council), mas mantém até ao último minuto as atenções centradas nele. Na sexta-feira, durante a pesagem oficial, dá uma bofetada em Vitali que lhe vale uma multa de 50 mil dólares (cerca de 38 mil euros). E no sábado, horas antes do combate, enche a boca com água e cospe no rosto de Wladimir Klitschko, irmão do adversário. Quando sobe ao ringue porta-se como um lutador, mas acaba por perder por pontos em 12 assaltos muito equilibrados. Ainda protesta com os juízes, mas de volta recebe apenas assobios. As últimas horas não o tornaram popular junto do público.
Del Boy, como se apelida o britânico, vê Vitali erguer novamente o cinto e segue cabisbaixo para a conferência de imprensa. O ambiente é tenso e os ânimos exaltam-se quando um jornalista pergunta ao promotor de Klitschko, Bernd Boente, como será no futuro a relação com os pugilistas ingleses – depois da bofetada de Chisora e do fraco desempenho de David Haye frente a Wladimir, em Julho. “Foi uma má experiência, agora vamos procurar adversários noutros países. Ainda assim, ao contrário de Haye, Chisora foi esforçado”, lança Boente.
A história podia ficar por aqui, se ao fundo da sala não estivesse o próprio David Haye, ao serviço da BBC Radio. Revoltado, o antigo pugilista volta-se para o mais velho dos Klitschko. Vitali ignora-o, mas Boente não. “Chisora mostrou coração, tu mostraste o dedo do pé”, protesta o promotor, recordando à audiência que Haye usou uma lesão no dedo como desculpa para ter perdido o combate com Wladimir. É então que Chisora decide dar um ar da sua graça: “David, podemos resolver isto em Londres. David, como é que está o teu dedo do pé?”
David Haye não gosta da provocação e os dois começam a trocar ameaças. Irritado, Del Boy levanta-se e vai até ao fundo da sala. Num impulso, David Haye parte uma garrafa no peito de Chisora e dá início ao confronto físico. A multidão tenta separar os pugilistas sem sucesso. Na confusão, Haye agarra no tripé de uma câmera de televisão e acerta no rosto de Don Charles, treinador de Chisora. Adam Booth, empresário de Haye, deixa o local a sangrar, mas a briga só termina quando a polícia entra na sala.
“O senhor Chisora foi detido esta manhã [ontem] no aeroporto por volta das 10h30. Actualmente não sabemos onde está o senhor Haye, mas estamos à procura dele. Não estava no hotel esta manhã nem o encontrámos no aeroporto”, confirmou o porta-voz da Polícia Criminal de Munique. Chisora, que ameaçou “queimar” e “balear” Haye, foi detido para prestar esclarecimentos sobre a briga quando tentava embarcar para Inglaterra e libertado já ao final da tarde. “A polícia vai apresentar queixa contra Chisora por ofensa corporal, mas não é razão para ele ficar preso.”



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