Portugal Telecom, Oliveira e Ongoing lutam pela TVI
por Adriano Nobre e Filipe Cardoso, Publicado em 23 de Junho de 2009
Prisa já baixou o preço para menos de 150 milhões de euros. Controlinveste e Ongoing também estão na corrida
A Portugal Telecom (PT) está a liderar um grupo de investidores para comprar 30% da Media Capital ao grupo espanhol Prisa. Segundo informações recolhidas pelo i, as negociações têm sido acompanhadas pelo governo, que detém 500 acções de classe A (denominadas "golden share") na operadora, e que lhe conferem o direito de veto sobre quaisquer negócios da PT. Os outros investidores interessados na Media Capital são a Ongoing Investments e a Controlinveste. O desfecho da operação vai ser anunciada nos próximos dias, podendo ainda contemplar um consórcio entre os três interessados.
Em declarações ao i, o administrador-executivo da Media Capital, Miguel Gil, recusou confirmar as conversações com a PT. "Até agora não temos nada fechado e há vários interessados em entrar no capital da empresa", garantiu. Até ao fecho desta edição, a PT não comentou a matéria.
O interesse da Prisa em alienar parte da Media Capital foi anunciado pela primeira vez em 2008 pela administração do grupo espanhol, que revelou então o objectivo de encontrar "um parceiro português" para esta unidade de negócio. Em Outubro a Prisa esteve perto de fechar um acordo para a venda de 30% da Media Capital a outro grupo de investidores, por cerca de 200 milhões de euros.
O acordo parassocial está já nas mãos de todos os interessados e prevê condições mais vantajosas para os novos investidores: o preço estipulado para a venda da participação de 30% não deverá ultrapassar os 150 milhões de euros e o acordo prevê a manutenção, nos próximos anos, dos actuais níveis de receita gerados pela Media Capital.
Apesar da grave crise financeira que o grupo Prisa atravessa - com um passivo de cinco mil milhões de euros, que obriga a encaixes financeiros significativos nos próximos meses, a holding espanhola continua a encarar a Media Capital como um activo estratégico no objectivo de expandir a sua presença nos mercados lusófonos, nomeadamente nos Países Africanos de Linhal Oficial Portuguesa e no Brasil. A venda da totalidade da dona da TVI poderia render mais de 500 milhões ao grupo Prisa. Ou seja, perto de 100 milhões abaixo do investimento feito pela Prisa nas duas OPA lançadas sobre a Media Capital. Porém, com as portas dos bancos fechadas e com uma dívida que sufoca cada vez mais a sua operação, os espanhóis procuram agora liquidez através da entrada de capital em vários activos do grupo.
Apesar do cenário de crise, a Prisa recusa alienar a totalidade da Media Capital. Sobretudo por causa da TVI e da produtora Plural Entertainment (ex-NBP), que têm conseguido apresentar resultados positivos. Daí a alternativa de vender apenas 30% à PT.
"Não me desagradaria uma opção dessas" comentou ao i fonte do conselho de administração da PT. E a operadora não terá dificuldades para financiar a operação: apesar de ostentar uma dívida líquida superior a 5,7 mil milhões de euros, fez recentemente uma emissão obrigacionista de mil milhões de euros que lhe elevou a liquidez.
"Incluindo caixa e equivalentes, e linhas de crédito e papel comercial disponíveis para utilização [a liquidez da PT] situou-se em 2.178 milhões de euros", refere a própria empresa nas contas do primeiro trimestre de 2009. "Nas operações em Portugal, a flexibilidade financeira permanece sólida e foi reforçada" lê-se no mesmo documento.
O acordo desenhado entre Zeinal Bava e a administração da Prisa terá os mesmos moldes que aquele que vai sendo discutido entre a holding espanhola e a Telefónica, operadora espanhola accionista da Portugal Telecom e também muito interessada nos mercados de língua portuguesa. Aliás, a hipótese de a Telefónica ganhar influência sobre a Prisa, e através desta sobre a TVI, é um tema que preocupa alguns administradores da equipa liderada por Zeinal Bava. Para a Portugal Telecom - que nos últimos anos abandonou a área dos media, primeiro com a venda da Lusomundo e depois com o spin-off da PT Multimedia, hoje Zon -, a racionalidade do negócio está associada à necessidade de garantir o acesso a mais conteúdos audiovisuais, para promover a aposta na TDT. Esta plataforma é encarada por Zeinal Bava como o melhor meio para atacar a TV Cabo, da Zon, já que a expansão do Meo continua limitada às altas ligações de internet que exige aos clientes.
A entrada de Joaquim Oliveira na Media Capital permitiria à Controlinveste assegurar a entrada no universo de canais generalistas. Uma ambição antiga da empresa - dona de activos como o DN, a TSF e JN, além de 50% da SportTV - que, no último ano, reforçou a sua posição na Zon com a expectativa de participar indirectamente no concurso para o quinto canal, que ficou congelado.
Para a Ongoing Investments, a entrada na Media Capital insere-se na estratégia de investimento no negócio dos media. Uma lógica reforçada em 2008 com a compra da empresa proprietária do "Diário Económico" e "Semanário Económico", por 27,5 milhões de euros, e com a aquisição de 20% do capital do grupo Impresa, proprietário da SIC, Expresso e Visão.
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