A transferência milionária de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid fez ouvirem-se vozes há muito caladas. Umas contra, outras a favor e outras ainda, mais atentas, que disseram que ele ia para os "merengues" só para vender camisolas. Verdade? Pelo menos meia verdade. É que quem assim falou já percebeu que o paradigma do marketing mudou e a publicidade já não é só fazer filmes para televisão. Lembrei- -me logo de uma conferência a que assisti há uns anos, onde um responsável do Real Madrid, então dirigido por Florentino Pérez, explicou a estratégia do clube com a aquisição dos célebres "galácticos" e demonstrou, com números, que afinal esses jogadores não foram assim tão caros. Tão simples como isto: Figo fazia vender camisolas na Europa e nos países de expressão portuguesa; Ronaldo vendia no Brasil e em toda a América do Sul; Beckham nos países anglo-saxónicos e Japão; e Zidane em França e na África francófona.
Disse mais esse dirigente: era difícil para qualquer treinador pôr todos aqueles craques a jogar como uma equipa e a ganhar jogos. Só que o papel deles não era só esse. O mesmo Florentino Pérez tomou como primeira medida de gestão contratar Kaká e Cristiano Ronaldo. Será para ganhar jogos? Para vender camisolas aos milhões, é com certeza. O que vem provar que, numa altura de crise, em que os detractores da publicidade já a faziam "morta e enterrada", afinal é ela que ainda pode fazer ressuscitar empresas.
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