Tavares Moreira conta o que sente um banqueiro inibido

por Sílvia De Oliveira, Publicado em 19 de Junho de 2009   
O antigo governador do Banco de Portugal escreveu um livro sobre a sua história da falência do CBI
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Tavares Moreira, antigo governador do Banco de Portugal
Tavares Moreira vai finalmente contar como se sente um banqueiro que já foi governador do Banco de Portugal e que foi proibido de exercer funções no sector bancário durante sete anos. No livro intitulado "Processo Indecente", Tavares Moreira contará a sua versão do polémico processo de investigação que terminou com a falência do Central Banco de Investimento (CBI). Conforme disse o próprio ao i, o livro que conta toda a sua história estará nas bancas no final deste mês - uma tentativa de limitar os danos de imagem que lhe causou toda esta polémica: "O maior prejudicado nisto tudo fui eu", limitou-se a referir.

O prefácio do livro é do economista António Borges e a mensagem da editora, a Bnomics, garante que serão revelados "os bastidores polémicos e até agora desconhecidos do caso CBI".

O silêncio do ex-banqueiro já dura há cerca de seis anos. Em 2003, o Banco de Portugal, que já era presidido por Vítor Constâncio, detectou, no âmbito da sua investigação, indícios criminais na gestão do CBI e acabou por enviar toda a informação para o Ministério Público. Desde então, Tavares Moreira só falou perante os tribunais. Mas antes conheceu a mão pesada do regulador e foi alvo de um processo de contra- -ordenação: inibição do exercício de funções de administração em instituições de crédito por um período de sete anos e uma coima de 180 mil euros. O Banco de Portugal concluiu que os gestores do CBI lhe tinham prestado informações falsas e manipulado e falsificado as contas da instituição com o objectivo de ocultar prejuízos de cerca de 25 milhões de euros durante os anos de 2000 e 2001. Estas operações terão sido concretizadas através de sociedades offshore.

Tavares Moreira recorreu da decisão do Banco de Portugal e acabou por perder no tribunal de primeira instância, que confirmou as sanções determinadas pelo supervisor. Esta decisão foi alvo de novo recurso para o Tribunal da Relação, que há cerca de dois meses decidiu pela anulação do primeiro julgamento. "O processo voltou à estaca zero. O Tribunal da Relação decidiu anular o julgamento que correu na primeira instância. Em causa estiveram questões processuais", adiantou ao i Jorge Neto, o advogado de Tavares Moreira, que também foi secretário de Estado do governo de Cavaco Silva.

Este caso está por isso na iminência de prescrever. Este desfecho é praticamente inevitável caso não exista uma nova sentença nos próximos meses. O efeito da passagem do tempo na justiça, que Tavares Moreira aproveitou para escrever um livro. As últimas páginas já foram escritas. Não se sabe ainda se a história terá um final feliz. Que leitura fará Tavares Moreira caso se confirme a prescrição?


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