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Crise e nova lei precipitam aumento do número de abortos em Portugal

Publicado em 16 de Junho de 2009   
O agravamento da situação económica pode pesar na decisão de ter um filho, mas não faz disparar IVG
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O número de abortos em Lisboa aumentou 20% nos primeiros quatro meses de 2009, mas os números recolhidos nos dois grandes centros clínicos da capital são apenas parte da história Este aumento, garantem os especialistas, tem duas grandes causas: a legalização do acesso no último ano e as dificuldades trazidas pela crise económica. Mas estes factores, mesmo assim, não explicam tudo.

"A crise pode ser uma causa, mas não explica tudo. Cada vez há uma maior noção de que para ter filhos é preciso ter condições. Se o dinheiro aperta e há essa consciência das responsabilidades, então pode haver mais abortos", salienta ao i Maria José Magalhães, presidente da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), presença forte das discussões pró-legalização do aborto em 2007.

A estimativa avançada ontem pela agência Lusa reflecte as interrupções voluntárias da gravidez (IVG) realizadas através do Hospital Dr. Fernando Fonseca (Amadora Sintra) - 663 - e na Clínica dos Arcos, em Lisboa, onde o número sobe aos 2647, a maioria reencaminhados pelos hospitais públicos, fruto das objecções de consciências.

Para Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, apesar de não haver dados estatísticos mais completos, "é normal que nos próximos anos o número de abortos aumento, consequência da alteração à lei em 2007". Mas a única leitura a fazer, mais do que pesar a crise, é negativa: "Se há mesmo um aumento, isso só demonstra que o Serviço Nacional de Saúde continua a falhar em termos de contracepção e planeamento", disse ao i. "Qualquer aumento é mau. Actualmente, o aborto é uma intervenção completamente desnecessária." Se a crise influi na maternidade, Madalena Teixeira Duarte, responsável pela associação Ajuda de Mãe, acredita que as grávidas não são as mais lesadas pelas finanças: "Com todos os subsídios que há, sentem menos. As famílias com filhos mais crescidos são mais afectadas. Não notamos um aumento na procura", sustenta. A necessidade da mudança de consciências é consensual e pode ser parte da resposta: "Uma maior responsabilidade maternal pode levá-las a pensar nisso mais cedo." Marta F. Reis


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