PRIMEIRO PLANO

Partidos e ideologias

por Jaime Nogueira Pinto, Publicado em 16 de Junho de 2009   
Em Portugal há três esquerdas, dois centros e nenhuma direita, porque sobre esta ainda pesa a sombra da correcção política anti-salazarista
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Sem verdadeira direita, será Portugal um país de uma banda só?

Uma leitura ideológica ou política dos programas, projectos e manifestos, e da oratória e prática dos partidos políticos domésticos, revela uma presença de três esquerdas, dois centros e nenhuma direita.
Na esquerda - aceitando que a esquerda é do PS inclusive, para a esquerda - há, ideológica e eleitoralmente três partidos, o PS, o PCP e o BE. O PS é o socialismo moderado, de rosto humano, a social-democracia, o partido nascido à pressão em Bona, em 1973, para se colocar na corrida à ocupação do vazio da esperada agonia do regime autoritário.
Auspiciado pelos socialistas alemães e franceses e pela A.F.C.L.O. norte-americana, então e sobretudo na crise de 1974-1975, o PS foi constituído pela autodenominada oposição democrática, a que os situacionistas chamavam "reviralho".
O Dr. Mário Soares, lançado internacionalmente nos anos 60 com a denúncia à Stern dos escândalos carnais do salazarismo (o caso do "ballet rose") tomou conta da ocorrência. E em 75, na aliança contra o PREC radical, repetiu à portuguesa (em brandos costumes) um cenário de Weimar - a aliança dos socialistas democráticos com a direita militar para parar a revolução.

Os outros dois partidos de esquerda vêm das famílias então vencidas.

 

Os comunistas, hoje bem longe dos anos de oiro, conseguem ainda resistir numa ortodoxia que os seus homólogos europeus mandaram às malvas. E os bloquistas - uma confederação de esquerdistas e esquerdismos - têm tido a habilidade de convencer a opinião pública, que o seu utopismo, milenarismo e igualitarismo não têm nada a ver com mestres e movimentos radicais e anti-constitucionais que, da Rússia ao México, da Espanha ao Extremo-Oriente, se caracterizaram no século XX por uma extrema intolerância e violência social.
Os socialistas do PS têm a particularidade de pouco ou nada ideologicamente se diferenciam dos sociais-democratas do PSD; e vice-versa. Pensam à esquerda e governam ao centro. Uns e outros. E o CDS-PP também não se diferencia muito destes ocupantes do "centrão". Sobretudo depois que acabou a Guerra Fria e o anti-comunismo. Isto apesar do socialismo (que não foi reabilitado pela crise?), continuar em baixa.
Sobre a direita ideológica paira, a sombra da correcção política anti-salazarista. Porque a II República, foi nacionalista e conservadora e "católica", os valores nacionais e conservadores continuaram arredados das agendas políticas, acabando por ser apenas, agitados por todos, em tempos de aposta eleitoral.

Professor universitário

Escreve à terça-feira



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