Cada um é como cada qual. Cristiano Ronaldo festejou a transferência para o Real Madrid em Los Angeles. Na companhia de Paris Hilton e a discutir as cores da sua roupa. "Qual é o mal em vestir-me de rosa?". Kaká passou a noite ligado à internet a pesquisar quem era Manuel Pellegrini, o homem que o vai treinar no Real. "Não sabia que tinha sido campeão na Argentina [torneio Clausura, em 2003]."
Ronaldo e Kaká são gémeos falsos dentro de campo: embora ocupem posições distintas são ambos altos, esguios, rápidos, talentosos, eficazes, constantes e pagos principescamente. Mas não podiam ser mais diferentes fora dele. A começar por aquilo que fazem ao dinheiro. Que não é pouco: vão receber 9 milhões de euros/ano ao serviço dos merengues. Dois egos, dois vencedores, com passados e contextos opostos a conviver na mesma equipa.
POP E CLÁSSICO Ao português, são muitas creditadas extravagâncias no horário pós-laboral. Carros de luxo, noitadas loucas, viagens a Los Angeles, Miami, Maiorca ou Sardenha fazem parte do seu roteiro de férias. Sempre acompanhado desta ou daquela beldade. Sempre perseguido pelos paparazzi ou por histórias de assédios ou escândalos sexuais. Ronaldo é uma estrela pop, como Beckham, mas com uma "pequena" vantagem sobre o inglês. Best, lenda do Manchester United, separou o trigo do joio: "Têm aparecido jogadores descritos como o novo Best. Com Ronaldo sinto-me lisonjeado pela comparação"; "Ele [Beckham] não sabe chutar de pé esquerdo, cabecear e nem marca muitos golos. Tirando isso, não é mau."
Kaká é a antítese de Ronaldo. Garante ter casado virgem com Caroline, a namorada de sempre, também ela imaculada até à noite de núpcias. Agora, é pai. Diz que escolheu a via da abstinência por Deus. "Vivo segundo os preceitos da Bíblia." Ronaldo, o namoradeiro, usa terços para dar sorte; Kaká veste t-shirt "I belong to Jesus." E tem um estilo clássico, sóbrio, sem brincos, gel ou adereços. É um menino-bem, nascido na classe alta brasileira.
RICOS E POBRES Ao contrário de Ronaldo que cresceu numa das zonas mais problemáticas da Madeira - Bairro de Santo António. O pai, José Diniz, era técnico de equipamentos do Andorinha onde Ronaldo deu os primeiros remates; a mãe, Dolores, cuidava da lida da casa. É a velha história do menino pobre que se tornou rico no futebol.
Kaká, por sua vez, é filho de Bosco, um engenheiro civil de recursos, e Simone, uma professora. A família mudou-se de Brasilia para São Paulo e era na sua casa imponente que os Leite serviam um lanche a toda a equipa de juniores do São Paulo (clube). Kaká contrariou a regra: ultrapassou o estigma do "berço de ouro" para se tornar um dos melhores do Mundo.




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