futebol Internacional

Falta um ano para o Mundial: Ronaldo ou Ibrahimovic, um deles fica em casa

por Rui Tovar, Publicado em 11 de Junho de 2009   
Falta exactamente um ano para o Mundial sul-africano. As estrelas de Portugal e Suécia fazem contas à vida, como Whiskey (Moçambique)
Daqui a um ano, só um dos dois poderá estar no Mundial-2010
Os dez estádios são fantásticos, os sistemas de segurança extremamente eficientes e o transporte é praticamente perfeito. Definitivamente, o cenário está preparado. A um ano do Mundial, tudo corre sobre rodas nas infra-estruturas e Portugal também está bem encaminhado, bastando-lhe sete pontos nos restantes quatro jogos, três deles em casa. Estamos a 9 de Junho de 2005, claro!
Porque hoje, 11 de Junho de 2009, a um ano do Mundial, na África do Sul, está tudo virado do avesso. Os dez estádios são fantásticos? Só no papel, porque ainda há três a meio da construção e dois por remodelar.
Os sistemas de segurança extremamente eficientes? Nem no papel, a avaliar pelas assustadoras estatísticas de um país com 50 homícidios e 100 violações por dia.
O transporte é praticamente perfeito? Sim, se os carros fossem de papel, a média de 14 mil acidentes de viação por ano não seria assim tão preocupante. Em resumo, o cenário não está preparado.
E Portugal também não, a avaliar pela maneira oscilante como a equipa de Carlos Queiroz começou a campanha de qualificação (vitória em Malta, derrota em casa com Dinamarca, empate na Suécia, empate com Suécia, empate caseiro com Albânia e vitória na Albânia). Faltam quatro jogos (Dinamarca, fora; Hungria, fora; Hungria, casa; Malta, casa) que se afiguram como finais e é preciso ganhá-las todas para se superiorizar à Hungria e Suécia e ir a um playoff de duas mãos com os outros segundos classificados.
É a diferença entre a família Scolari (um plantel de 25/26 jogadores que cumpria os requisitos, sem alaridos) e esta família Addams (um plantel que faz fila para jogar e acumula problemas macabros).

De férias "Eu sei o que fizeste no Verão passado" foi um filme de pseudo-terror lançado em 1997, classificado de série B (medíocre, portanto). E se no Verão passado, no dia 11 de Junho de 2008, o país estava em delírio porque Portugal carimbara a qualificação para os quartos-de-final do Europeu (3-1 à República Checa), hoje, 11 de Junho de 2009, o mesmo país desespera por esta pseudo-selecção, que se está a transformar num verdadeiro terror, a fazer contas à vida, como não se via desde o apuramento para o Mundial de 98.
De máquina calcular em riste, concentremo-nos agora nas figuras de Portugal e Suécia. Ou melhor, nas figuras do Manchester United (Cristiano Ronaldo) e Inter (Zlatan Ibrahimovic). Este Verão, sabemos o que eles vão fazer: férias em Nova Iorque e Miami, em Los Angeles e Miami, respectivamente. No Verão de 2010, é que já não sabemos. Nem eles.
No máximo, só um deles estará na África do Sul, onde é Inverno em Junho e as temperaturas variam entre os 11 e 18 graus, com chuva e vento (afigura-se um Mundial de camisolas com manga comprida, como o da Argentina de 78). O outro estará de férias, certamente num país solarengo, talvez a mudar de canal televisivo na hora de um jogo qualquer para ver 22 homens de manga comprida atrás de uma bola.
Como ele, haverá muitos outros nesta situação de ver o Mundial no sofá: Drogba (Costa do Marfim), Eto?o (Camarões), Chivu (Roménia), Kanu (Nigéria), Cech (República Checa, que há um ano sofria três golos de Portugal), Adebayor (Togo), Fellaini (Bélgica). E todos com Whiskey (Moçambique).


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