A nova exposição temporária do Museu Colecção Berardo, "Arriscar o Real", vai exibir a partir de hoje cerca de 200 obras, na maioria pertencentes ao acervo da entidade, incluindo novas aquisições, e um conjunto criado por Dan Flavin.
Numa entrevista à Agência Lusa a poucas horas da inauguração da mostra, Jean-François Chougnet, director artístico do museu, explicou que a nova exposição, comissariada por Larys Frogier, "tem um título com vários sentidos em português".
"O principal sentido é tentar demonstrar, através de um percurso na colecção Berardo, a possibilidade de ´fazer figura´ na criação artística contemporânea. Não é uma exposição sobre o retrato, mas sobre as representações do real e as dificuldades do real no século XX", afirmou.
"Arriscar o Real" percorre vários suportes usados pelos artistas - desde pintura, escultura, desenho, vídeo, fotografia e instalação - de autores como Andy Warhol, Cindy Sherman, Roy Lichtenstein, Frank Stella, Lucio Fontana, Man Ray, Marcel Duchamp, Jeff Coons, Jackson Pollock, Francis Bacon, Francis Picabia, Ana Mandieta, Anish Kapoor, Larry Bell, entre outros.
De acordo com o director artístico do museu, a mostra vai apresentar novas aquisições de artistas portugueses e estrangeiros, como um tríptico de Pedro Cabrita Reis, intitulado "The Cotton Fabric Paintings # 17" (2007) e o vídeo de Gina Pane (1939-1990) intitulado "A hot afternoon. Performance in Lisbon on 4 April 1978".
Outros artistas portugueses representados nesta exposição são José Loureiro, Albuquerque Mendes, Miguel Palma, Helena Almeida, Ernesto de Sousa e Julião Sarmento.
O novo percurso expositivo integra ainda uma mostra de sete obras de Dan Flavin, pertencentes à Colecção Panza, actualmente com cerca de 2.500 obras, iniciada em 1956 por Giuseppe Panza di Biumo, em Itália.
As obras de Dan Flavin patentes nesta exposição no Museu Berardo espelham aquele que se tornou o estilo do artista: a utilização de luzes eléctricas fluorescentes ou incandescentes, criando instalações que alteram a percepção do espaço.
"Arriscar o Real" está concebida em três núcleos que, referiu o director do museu, mostram vertentes diferentes da temática: "Espaços reais: a figura em recuo", com o minimalismo, "O real para lá dos limites: a figura em actos", sobre o impacto das artes performativas nas artes plásticas e visuais, e "O real traumático: a figura sob todos os seus estados", sobre a exploração da imagem.
Por outro lado, Jean-François Chougnet comentou que "há sempre um grande prazer em mostrar as obras da colecção Berardo que estão nas reservas". "A colecção é tão rica e diversificada que quase permite fazer um novo museu cada vez que fazemos uma apresentação de uma nova exposição", comentou à Lusa, sobre as correntes representadas, desde o Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo, Construtivismo, Expressionismo Abstracto, Minimalismo, Arte Pop, Nova Figuração, Arte Conceptual, Arte Corporal, Arte do Simulacro, entre outras.
A nova exposição temporária, instalada no piso-1 do museu, que hoje é inagurada ao público às 19:00, estará patente até 30 de Agosto de 2009.




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