Selecção nacional

Ronaldo é um liberal de esquerda, Queiroz tem outra visão política

Publicado em 06 de Junho de 2009   
"Que ganhe o jogo por nós", diz o seleccionador. Nem que seja fora da posição preferida do jogador
Esta época Ronaldo ainda não marcou em jogos oficiais pela selecção
Na véspera das europeias, Carlos Queiroz vota hoje no apuramento para o Mundial. Tem de escolher uma equipa capaz de derrotar a Albânia (sim, nos tempos que correm, com a campanha em risco de ficar comprometida, qualquer adversário deve ser temido) e provavelmente vai construí-la em torno de um ditador - Cristiano Ronaldo - na frente de ataque. Nem que isso signifique castrar a ideologia futebolística do internacional português, um liberal de esquerda que não gosta de sentir-se limitado. "Vai jogar no ataque. É lá que tem de ganhar o jogo por nós", disse o seleccionar nacional.

Nada é certo - porque no estágio da última semana em Óbidos Carlos Queiroz trabalhou sempre à porta fechada (sim, hoje em dia a Albânia impõe esse respeito) - mas o treinador indiciou a possibilidade de Ronaldo ser chamado como ponta-de-lança. A polivalência permite-lhe isso (não é a primeira vez na selecção e foi assim que jogou a final da Liga dos Campeões, pelo Manchester United, no final de Maio) mas esse não é o lugar onde jogador cresceu e se sente mais à vontade. Gosta de partir da linha com total liberdade de movimentos para dentro do relvado; prefere jogar de frente para os adversários e para baliza e inventar por onde vai mover-se, do que passar parte do tempo sem bola, marcado pelos defesas-centrais, reduzido a uma área de acção menor.

A discussão do posicionamento de Ronaldo não é nova. E conjuga-se, depois, com o rendimento do futebolista, aqui e ali acusado de não levar à selecção a mesma influência mostrada no Manchester United. "Se todos fizessem o que eu fiz, se calhar Portugal já era campeão do mundo", atirou em Março o melhor jogador do mundo, depois de se sentir provocado com essa questão. As estatísticas desta temporada são tão claras quanto injustas para o jogador. Ronaldo começou a temporada mais tarde, devido a lesão, fez apenas três jogos na campanha de apuramento para a África do Sul e não marcou qualquer golo. Em Inglaterra, às ordens de Alex Ferguson, assinou 26 golos em 53 jogos. Hoje em Tirana, mais dois jogadores estão interessados em saber onde joga Ronaldo: Hugo Almeida e Nani. Só um deles deve caber no onze.

Albânia-Portugal. 19h45 (SIC)


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