Educação

Ministra da Educação admite ter errado ao não "desmontar" acusações dos sindicatos

Publicado em 21 de Maio de 2009   
A ministra Maria de Lurdes Rodrigues

A ministra da Educação admite que errou ao não ter "desmontado" todas as acusações de estar a atacar os professores, uma atitude dos sindicatos que diz ter sido "sistemática" durante o seu mandato.

Em entrevista à Agência Lusa, Maria de Lurdes Rodrigues rejeita que alguma vez tenha feito "algum ataque aos professores" e sublinha que essa percepção "é muito baseada na actividade sindical". "O manual do aplicador [das provas de aferição] tem dez anos e é lido como a prova de que a ministra ataca os professores. E isto foi sistemático ao longo do mandato. O meu erro talvez tenha sido não ter dado a devida atenção e não ter desmontado, no momento, todos estes racionais que eram construídos em torno do que se dizia", afirmou a ministra da Educação. Maria de Lurdes Rodrigues explica que aquele instrumento de trabalho "não é nada que os outros países não façam" ou "não é nada que escolas e professores não apreciem, por lhes dar mais confiança, segurança e rigor no seu trabalho. No entanto, foi lido como um ataque à dignidade e autonomia dos professores", sublinha.

Outro dos exemplos que aponta prende-se com uma citação que os sindicatos lhe atribuem e que surge normalmente nos cartazes das manifestações: 'Perdi os professores, mas ganhei as famílias'. "Eu nunca disse tal frase. Mas provavelmente o meu erro foi nunca ter exigido aos sindicatos que subscreveram o cartaz a prova daquela minha afirmação. Nunca o exigi e devo ter feito mal, porque hoje o que paira é que a ministra fez grandes ataques aos professores e até disse aquela frase", reitera. A ministra admite que poderá ter tentado explicar, após uma pergunta do tipo 'como pode fazer as reformas com os professores todos contra si?', que "a política de educação não se pode resumir à condição económica e social dos professores".

"A educação é um serviço público que tem professores, a sua força mais importante. Mas tem também outras dimensões importantes como o apoio às famílias, o espaço físico das escolas ou os programas".



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