Na América

Seabiscuit: a vida de um cavalo também dá um filme

por Rui Pedro Silva, Publicado em 03 de Março de 2010   
Ajudou os americanos a ultrapassar a Grande Depressão e venceu a última corrida há 70 anos
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A vitória contra o War Admiral consagrou o Seabiscuit como o melhor cavalo do ano em 1938
O descalabro da bolsa de Nova Iorque em 1929 deixou os norte-americanos à beira de um ataque de nervos. O período de crescimento económico após a Grande Guerra teve consequências desastrosas e um país inteiro ficou marcado pela Grande Depressão.

Em 1933 uma série de acontecimentos mudou o futuro dos EUA, não só pela subida de Adolf Hitler ao cargo de chanceler alemão, mas também pelo nascimento de um cavalo chamado Seabiscuit, que viria a ser um símbolo perfeito do país durante toda a década. Era visto como um cavalo demasiado pequeno, preguiçoso e que passava grande parte dos dias a comer e a dormir. Ainda assim, o treinador Sunny Jim Fitzsimmons reconheceu-lhe potencial e iniciou-o no mundo das corridas. Longe de ter uma capacidade inata para vencer grandes prémios, o Seabiscuit teve um caminho paralelo, em competições menos importantes, até chegar aos grandes palcos.

Em 1936 foi vendido pela criadora Gladys Mills Phipps a Charles Howard por 7500 dólares (5500 euros), um valor bastante elevado para a altura. Howard entregou o cavalo a Tom Smith que, com uma nova metodologia de treino, conseguiu explorar melhor as capacidades do animal, lançando-o na Califórnia a competir com o jóquei canadiano Red Pollard.

As primeiras vitórias começaram a aparecer, tornando-se cada vez mais frequente nos jornais o nome de Seabiscuit. A história de um cavalo que tinha surgido do nada, ultrapassara inúmeras dificuldades e ameaçava tornar-se num dos melhores das corridas norte-americanas foi vista como um sinal de esperança para as classes que mais sofriam com a Grande Depressão. Os hipódromos enchiam e eram raras as pessoas que, principalmente na Costa Oeste, não ouviam as corridas na rádio. Da Costa Leste vinha a principal ameaça, o War Admiral. Após vários adiamentos, os dois encontraram-se finalmente a 1 de Novembro de 1938 naquela que ficou conhecida como A Corrida do Século.

O Seabiscuit não era famoso pelo arranque, mas a aceleração final dava-lhe uma enorme vantagem sobre a maioria dos adversários. Contra o War Admiral, George Woolf, o jóquei que entretanto tinha substituído o lesionado Pollard, decidiu utilizar uma campainha como adereço. Ao ouvir o som durante toda a prova, o Seabiscuit teria uma reacção pavloviana que lhe permitiria ter o famoso arranque final durante várias fases na corrida.

O truque teve sucesso, o Seabiscuit venceu e foi considerado o melhor cavalo dos EUA em 1938. Duas épocas depois, há precisamente 70 anos, o Seabiscuit ganhou a última corrida antes de se retirar definitivamente em Abril de 1940. Se há vidas que dão um filme, a vida do Seabiscuit deu um livro e dois filmes, um deles nomeado para Óscar, em 2003.


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