Marcelo Rebelo de Sousa continua a desmentir em público mas poucos acreditam que desistiu do PSD. E ninguém aceita que vai para casa descansar. Nas conversas dos sociais-democratas, incluindo dos três principais candidatos à liderança, o nome do professor leva sempre à frente um ponto de interrogação. Como o i adiantou na terça-feira, Marcelo está já apalavrado com a TVI, mas exigiu expressamente que a direcção do canal espere até ao início de Abril por uma assinatura no contrato. Só depois do congresso e das directas, foi a resposta do comentador social-democrata. Ontem foi o fim do programa na RTP e hoje é o primeiro dia das novas escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa.
O comentador político com mais audiência em Portugal está provisoriamente sem tribuna mediática e reitera, no entanto, que o drama da escolha não existe: na despedida da televisão pública recusou-se a antecipar em que condição poderia ser brevemente entrevistado pela jornalista Maria Flor Pedroso. "Como cidadão comum", respondeu Marcelo.
O regresso à análise política na TVI, dentro de dois meses, não foi sequer abordado. E mesmo o congresso do PSD foi desvalorizado para uma nota de rodapé. "Não sei, francamente, se vou ao congresso", defendeu, lamentando que a próxima reunião social-democrata esteja a ser antecipada como "uma análise de claques". E recorreu à ironia: "Se for assim, o congresso não vai ser um concurso de beleza, mas vai ser um concurso de aplausos". Ou seja, concluiu, "não será muito estimulante ir a um congresso para ver quem tem mais aplausos".
A conversa surgiu depois de o comentador ter encontrado um dos candidatos à liderança do PSD numa viagem entre Lisboa e Guimarães. Não disse de quem se tratava, assim como não esclareceu se vai apoiar qualquer um dos candidatos em presença. Numa questão de justiça, lembrou-se do email que recebeu do candidato a candidato do PSD, o quarto se conseguir reunir 1500 assinaturas, Castanheira Barros de seu nome.
Numa emissão atípica das "Escolhas de Marcelo" - também porque foi emitido em directo do Funchal e sem direito às habituais sugestões literárias -, o comentador dedicou a maior parte do seu último programa a comentar a comissão de inquérito solicitada pelo PSD para averiguar a eventual interferência do governo no negócio entre a PT e a TVI. E embora tenha considerado "inevitável" que os sociais-democratas avançassem para essa decisão, criticou o líder parlamentar e candidato à liderança do partido, José Pedro Aguiar-Branco, por ter antecipado a possibilidade de esse inquérito redundar numa moção de censura ao governo. "Não foi sensato", acusou Marcelo.
"Vamos apresentar o PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento] a Bruxelas e depois abre-se uma crise no governo? É preciso separar o essencial do acessório", aponta Marcelo Rebelo de Sousa, defendendo que a dissolução da Assembleia da República, a ocorrer, "deve ser o mais tarde possível, por muito tentador que seja para o novo líder do PSD". Como aliás fez questão de acrescentar, foi isto mesmo que o Presidente da República defendeu desde o início da nova legislatura. Para o ano, em 2011, já é possível, disse o comentador. Segundo Marcelo "é legítimo que o PSD sonhe servir o país governando", mas aquilo que pode ser "interessante partidariamente" não pode sobrepor-se "ao país, que não é uma coisa irrelevante".
Clique para ver o último programa de Marcelo na RTP. Foi transmitido a partir do Funchal. O comentador e a jornalista Maria Flor Pedroso estiveram em directo da capital madeirense no Telejornal. Marcelo Rebelo de Sousa confessou-se surpreendido pela rápida recuperação da baixa da cidade. Veja o vídeo




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