Sócrates: divulgação de escutas no “Sol” foi “acto criminoso e ilegal”

por Adriano Nobre, Publicado em 09 de Fevereiro de 2010   

O primeiro-ministro José Sócrates falou esta tarde sobre o artigo publicado na última edição do semanário “Sol”, qualificando a divulgação das escutas a Armando Vara, Paulo Penedos e Rui Pedro Soares “um acto criminoso e ilegal, contra a privacidade”. Sem responder a perguntas dos jornalistas, Sócrates rejeitou a ideia de ter existido um “plano” do governo para assumir o controlo da TVI através da PT e lamentou que “não tenha havido um único partido da oposição a criticar o crime praticado pelos jornalistas” do “Sol”.

“Lamento que os partidos não tenham tido pudor e tenham usado esse crime para me atacar”, acusou Sócrates, garantindo que “todos os que referem a existência de uma ligação entre o governo e a PT para comprar o grupo Prisa [sic] estão a faltar à verdade”. “Nunca dei  orientação para dar ordem de comprar a TVI”, prosseguiu Sócrates, antes de recordar que “a PT já disse há muito tempo que tinha essa intenção estratégica de entrar na TVI e de forma independente do governo”.

Acusando os partidos da oposição de “não aceitarem o resultado das eleições”, o primeiro-ministro considerou ainda “lamentável” que alguns representantes do PSD não estejam a “respeitar a separação de poderes” político e judicial. “Ninguém pode substituir-se às entidades judiciais ou estar agora a atacar a Procuradoria-Geral da República”, defendeu.
O primeiro-ministro considerou que os partidos da oposição têm mostrado, nos últimos dias, uma "clara falta de príncipios", sinónimo de "que vale tudo, que nenhuma regra deve ser observada". "Isto é uma violação do Estado de Direito", disse Sócrates, acrescentando que desta vez os partidos da oposição "foram longe demais".



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