Saúde
Morte por gripe A? Dois meses e meio depois a dúvida persiste
por Inês Cardoso, Publicado em 09 de Fevereiro de 2010
Jovem de 14 anos morreu a 30 de Novembro e foi incluído na lista oficial de óbitos por vírus H1N1. Mas relatório da autópsia ainda está em aberto
Uma autópsia pode ser um complexo quebra-cabeças, em que sucessivas pistas vão sendo exploradas sem respostas evidentes. André Dang, 14 anos, morreu a 30 de Novembro. Consta da lista de notificações oficiais de mortes por gripe A, sob reserva. Mas o Instituto Nacional de Medicina Legal ainda não concluiu a autópsia e quase dois meses e meio depois da morte aguardam-se exames adicionais.
Jorge Costa Santos, director da delegação do Sul do INML, explica que estão a ser realizados exames toxicológicos e pesquisa de medicamentos. "O tempo médio de realização de testes no laboratório, que por estar acreditado tem de seguir procedimentos rigorosos, ronda os 80 dias", justifica.
Na sequência da autópsia foram também solicitados exames histológicos (dos tecidos biológicos), mas estão praticamente concluídos. O responsável da delegação de Lisboa admite que um período tão alargado para o estudo do caso não é comum, mas sublinha existirem processos morosos quando as causas de morte são múltiplas. "As pessoas pensam que é como no CSI, abre-se o corpo e já está. Mas em cerca de 40% das autópsias que realizamos a causa da morte é desconhecida."
Vírus H1N1 Embora Jorge Costa Santos se escude no segredo de justiça para não revelar qualquer pormenor do caso, é certo que à data da morte André Dang tinha o vírus H1N1. Prova disso é que a Direcção-Geral de Saúde notificou o Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças da morte do adolescente. Com uma ressalva: "Classificação provisória (aguarda-se relatório da autópsia)."
O problema é que ter gripe A não significa que André tenha sido vítima dela e o Instituto de Medicina Legal não quer "descartar outras possíveis causas de morte". O jovem, residente em Lisboa, morreu em casa. Nos últimos momentos de vida sofreu hemorragias abundantes. O pedido de exame à Toxicologia não está direccionado para uma suspeita em concreto, pedindo a pesquisa geral de substâncias psicotrópicas e medicamentos.
O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, que tutela a investigação à morte do jovem, explica aguardar, além do relatório da autópsia, "elementos solicitados ao Hospital D. Estefânia de Lisboa".
De acordo com a informação divulgada em comunicado na altura, o jovem foi observado no hospital na véspera da morte. Como não tinha febre nem dificuldade respiratória, foi enviado para casa, depois de um raio X ao tórax que confirmou não existirem motivos para internamento ou "critérios de gravidade clínica".
Contactados pelo i, os pais não quiseram fazer qualquer comentário, "porque o processo está em segredo de justiça". Em Dezembro, Lucília Dang lamentou a falta de informação que estava a ser prestada pelas autoridades. Hoje continua a aguardar respostas. Em silêncio.
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