Sporting-Benfica

Silêncio. O que eles não disseram mas podiam e deviam ter dito

por Pedro Candeias, Publicado em 09 de Fevereiro de 2010   
É inédito: Carvalhal e Jesus calaram-se antes de um dérbi. O i finta os técnicos e imagina as conferências
Carlos Carvalhal já está a 21 pontos do Benfica de Jorge Jesus

Sporting e Benfica vão jogar hoje mas os treinadores não falaram à imprensa na véspera, numa atitude quase inédita na história dos 280 dérbis. Carlos Carvalhal, após três derrotas, opta pelo blackout geral. Jorge Jesus, dada a sobrecarga de jogos e excesso de aparições, nem à Benfica TV fala, hábito que mantinha desde o início da época.

Mas uma conferência de imprensa é assim tão importante para os jornalistas? Se calhar nem tanto. Porque nem tudo o que é perguntado é respondido com sinceridade. No entanto, para os leitores e adeptos, seria importante ouvir os seus responsáveis, antes de um dos "jogos do ano". O i fez um exercício: fez as perguntas e escreveu o que ambos deviam responder. Mantendo o estilo: elaborado e indirecto o de CC, descontraído e objectivo o de JJ.

 

Perguntas a Carlos Carvalhal

Se perder tem condições para continuar à frente do Sporting?
É uma questão à qual tento furtar-me a responder. Não faz parte do meu estilo falar sobre coisas internas. [sorri e arqueia as sobrancelhas] Evidentemente que, caso perca com o Benfica, é um objectivo nosso que falha. Aí, pondero ponderar sobre a minha situação e as minhas condições à frente do Sporting. Mas a primeira palavra será sempre para a administração do Sporting, que tudo tem feito para reforçar a competitividade interna [vulgo, contratações] deste clube.

Foi difícil perder com André Villas-Boas, a primeira escolha de Sá Pinto para o seu cargo?
Foi uma derrota penosa, tenho de o reconhecer. No futebol, estou afastado da pressão, não a sinto, mas ninguém gosta de ser uma segunda escolha na sua vida profissional. E perder com André Villas-Boas não foi assaz positivo.

Que aconteceu para passar de sete vitórias para três derrotas?
O Sporting aposta forte em todas as competições e não se afasta nem um milímetro das suas convicções: apostar forte no jogo seguinte. E se às sete vitórias se seguiram três derrotas é porque a aposta falhou ou não foi a melhor. Assumo plenas responsabilidades. E o futebol é assim. Mas continuo concentrado no meu trabalho, direccionado para os meus jogadores e com a convicção de que a equipa tem progredido [franze a testa].

Tem tido o apoio do presidente ausente? E do balneário?
O presidente deslocou-se ao Brasil por assuntos que não me dizem respeito. Agora, se me perguntarem directamente se a viagem aconteceu na melhor altura, não me furtarei e responderei que não foi o melhor timing [passa a língua pelos lábios].

O Yannick disse estar indisposto, é verdade que não gostou da atitude dele?
O Yannick é um menino de Alcochete que precisa de crescer, maturar em termos pessoais e competitivos [sorri sem olhar para as câmaras].

Miguel Veloso está em condições?
Em primeira instância, são os meus jogadores a saber das minhas escolhas. Mas a mialgia, como vocês sabem, é um termo para enganar. E não estou aqui para fazer bluff.

Adrien ou Pedro Mendes?
O Adrien funcionou bem em termos de cobertura ao Aimar no clássico da Liga. Mas o Pedro é um jogador de estrutura, de futuro para o Sporting.

 

Perguntas a Jorge Jesus

Dois jogos com Carvalhal, dois empates. Este será diferente?
Antes de mais nada, boa tarde para vocês. Bom, respondendo directamente à sua pergunta, este é um jogo com-ple-ta-men-te diferente dos anteriores, que eram prá Liga. Portanto, o Carvalhal, neste caso no Sporting, não pode jogar para o empate, fechando as suas linhas e nós gostamos de jogar contra adaversários que queiram dividir a bola para que possamos sair em saídas de ataque rápido onde somos muito fortes. [leve esgar nos lábios]

Vai poupar jogadores?
Não acredito em rotações nas equipas. Comigo jogam os melhores, sempre. Isto é o Benfica e no Benfica joga-se pra ganhar, sempre, todos os jogos.

Perder a Taça da Liga será uma derrota pessoal?
O Benfica conquistou um título o ano passado, que foi a Taça da Liga. E, portanto, estamos aqui para defendê-lo porque é importante individualmente mas também colectivamente para nós. Mas o que eu quero é ganhar a Liga.

É verdade que não conta nem com Quim nem Moreira para a próxima época? E Weldon? Que lhe aconteceu?
Diga? Ah, ok. Já tinha dito, ou afirmado, que o Benfica precisa de um guarda-redes top, do topo. Portanto, tanto o Moreira como o Quim já tiveram muitas o-por-tu-ni-da-des no Benfica e é tempo de dar lugar a outros. Como o Júlio César, que fui eu que trouxe e tem estado muito bem sempre que foi chamado [olhar desafiador]. E o Benfica está sempre no mercado à procura dos melhores.

Diz-se que no estrangeiro estão de olho no seu trabalho. O Benfica é um fim ou uma etapa?
É sinal de que o meu trabalho é bom. Mas também não devia ser novidade para ninguém. Sempre disse que o treinador português é dos melhores em termos da táctica jogada e não falada. Mas o meu futuro está no Benfica e nas mãos do presidente.

Tem-se falado muito nos túneis e nos castigos aos jogadores adversários. E há quem diga que o Benfica tem sido levado ao colo. Que tem a dizer sobre isso?
Nós jogamos dentro do campo e não nos túneles. Quem tem levado o Benfica ao colo é a massa associativa e a nossa qualidade. Temos 51 golos marcados na Liga. E o resto é peanuts.

Está ansioso pelo primeiro título?
Já conquistei um, embora não tenha uma taça, a Intertoto. Não estou ansioso, nem nervoso. Já tenho muitos anos de futebol. Mais alguma? Obrigado.



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