OE 2010: UGT lamenta falta de apoio à competitividade, ao crescimento e ao emprego

por Agência Lusa, Publicado em 07 de Fevereiro de 2010   

O secretário-geral da UGT, João Proença, criticou hoje o Orçamento do Estado para 2010, afirmando que o documento "não apoia" a competitividade, o crescimento e o emprego.

"É um orçamento de combate ao défice, não é um orçamento de apoio à competitividade, ao crescimento e ao emprego", disse João Proença.

O sindicalista falava aos jornalistas em Viana do Castelo, à margem do congresso fundador da UGT naquele distrito.

João Proença criticou ainda a "redução" dos salários da função pública em 2010, considerando que esta "não é a solução" para ultrapassar os problemas do país.

"Pelo contrário, vai arrastar o país cada vez mais para o fundo, a recuperação vai ser mais difícil", referiu, defendendo que a solução é o Governo "manter e aumentar as medidas de recuperação [da economia] que tinha adotado em 2009".

O secretário-geral da UGT afirmou que o que foi anunciado para 2010 "não é um congelamento de salários, mas sim uma redução, já que o congelamento só aconteceria se houvesse aumentos iguais à taxa de inflação".

Para João Proença, "não podem ser sempre os mesmos [os trabalhadores] a pagar a crise".

"Se há soluções draconianas de corta aqui e corta ali, então que se corte em geral", afirmou, propondo medidas como cortes nas "reformas chorudas", ataques aos paraísos fiscais e regulação financeira dos mercados.

"Por que é que não há soluções equitativas que distribuam os esforços por toda a sociedade em conjunto, quer pelas empresas quer pelos trabalhadores?", questionou.

Dados hoje divulgados no congresso de Viana do Castelo apontam para uma taxa de desemprego de perto de 12 por cento naquele distrito.

Em novembro de 2009, estavam registados no distrito 9907 desempregados, o que corresponde a um aumento de 32,2 por cento. Estavam desempregados 4257 homens e 5650 mulheres.

Os concelhos de Viana do Castelo, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez, no conjunto, representavam 67,6 por cento do desemprego no distrito.

O desemprego jovem no distrito, referente a pessoas com menos de 25 anos, representava 16,1 por cento do total. Quarenta e três e meio por cento dos desempregados tinha entre 35 e 54 anos



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