O secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, propôs hoje em Munique uma mudança profunda da Aliança Atlântica, organização militar nascida da Guerra Fria, tendo em vista a atual situação de segurança mundial.
"Devemos operar uma transformação da NATO para esta nova fase, vinculando a Aliança ao sistema internacional de segurança de forma completamente nova", declarou o dirigente ao discursar na 46ª Conferência sobre a Segurança.
Rasmussen, em funções desde agosto de 2009, anunciou no seu primeiro grande discurso sobre a sua visão da NATO três pontos fundamentais.
"Numa época de insegurança mundial, a defesa do nosso território, que constitui a missão original da NATO desde a sua criação em 1949, deve ser estendida para além das nossas fronteiras", disse o secretário-geral, apontando em segundo lugar que "o sucesso na preservação da segurança comum depende cada vez mais da boa cooperação" com terceiros.
"Em terceiro lugar, a NATO deve tornar-se um fórum para consultas sobre as questões de segurança à escala mundial", afirmou o chefe da Aliança.
A usar da palavra em Munique, o ministro da Defesa alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, lançou um alerta para que as missões da NATO não se confundam com o papel das Nações Unidos na regulação de conflitos.
"Não devemos entrar em competição com as Nações Unidas, não queremos fazer da Aliança Atlântica uma agência de segurança mundial", advertiu Guttenberg.
O dirigente da NATO recordou que a organização está em fase de reflexão sobre o novo "conceito estratégico" a adotar em novembro próximo na cimeira de Lisboa.
A atual carta da NATO, que data de 1999, tornou-se obsoleta devido ao agravamento de fenómenos como o terrorismo e a pirataria, o risco de conflitos para acesso aos recursos naturais, o surgimento de novas ameaças como a guerra cibernética ou as consequências do aquecimento climático.
O trabalho exploratório foi confiado a uma comissão de 12 especialistas, presidida pela antiga secretária de Estado norte-americano Madeleine Albright, presente na Conferência de Munique.
"Para mim, transformar a NATO numa instituição virada para o mundo não é questão de escolhas, mas de necessidade", acrescentou Rasmussen.
"A mundialização é um facto irreversível", concluiu o secretário-geral da NATO.
A Lusa adoptou o novo Acordo Ortográfico




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