A pré-candidatura de José Pedro Aguiar-Branco à liderança do PSD está em marcha. "Ele tem a vontade, o interesse e a ambição para se candidatar à liderança do partido", diz uma fonte próxima do líder parlamentar ao i. Então o que falta? Antes de avançar, Aguiar-Branco precisa de recolher mais apoios dentro do partido. É isso que tem atrasado a oficialização da candidatura que já está em marcha desde o início do mês. Como o i anunciou, o líder da bancada social-democrata está a preparar uma moção de estratégia para apresentar no próximo congresso do PSD.
Mas, a julgar pela oportuna participação de Aguiar-Branco no programa "Quadratura do Círculo" ontem à noite, na SIC Notícias, a mesma fonte defende que este é "o primeiro acto da sua campanha".
Hoje, Aguiar-Branco vai reunir-se com a assembleia distrital social-democrata do Porto, onde colecciona elogios tanto do líder daquela estrutura partidária, Marco António Costa, como do presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes.
Em andamento A par destas movimentações, Aguiar-Branco já tem dado, em público, indícios de que tenciona candidatar-se. Quando questionado sobre essa possibilidade de concorrer à liderança do PSD, o "pré-candidato" como lhe chamou Marcelo Rebelo de Sousa, não negou a intenção: "Não pode resultar das minhas palavras - nem vontade, nem sem vontade - nada que antecipe essa discussão", disse Aguiar-Branco na segunda-feira.
Neste processo de contagem de espingardas e de gestão de silêncios, o advogado do Porto tem recolhido importantes elogios. Entre os que têm falado no seu nome (e destacado o seu bom trabalho na liderança da bancada), estão os antigos presidentes do partido, Luís Marques Mendes e Rui Machete e, também o presidente da Câmara de Cascais e conselheiro do Estado, António Capucho.
Visto como o candidato que dá a cara pela facção que não quer Pedro Passos Coelho na liderança do partido, Aguiar-Branco tem, porém, vindo a descolar-se da liderança de Manuela Ferreira Leite, à que foi fiel durante o Verão eleitoral.
Exemplo disso foi ter avançado, sozinho, para a liderança da bancada parlamentar do PSD à revelia de Ferreira Leite, em Outubro. Mais: Aguiar-Branco tem apostado num discurso presidencialista, recusando "uma visão tribal do PSD" que leva a que o partido seja "uma mera soma de partes desconexas e não um todo, com um fio condutor".
Ameaça
Mas no caminho do advogado à liderança do partido há um senão: Paulo Rangel. O eurodeputado, que ainda não decidiu se se candidata, tem sido pressionado por pessoas próximas da direcção de Ferreira Leite para avançar. "Rangel candidata-se se não resistir aos apelos da liderança do PSD", defende Carlos Carreiras. "Rangel é o candidato da líder do partido", acredita o presidente da distrital social-democrata de Lisboa.
Se o eurodeputado avançar, é certo que Aguiar-Branco recua. E a mesma lógica funciona para Rangel. Nenhum quer avançar sem garantias de que será o nome do consenso na ala ferreirista. Por isso, aguardam. Mas aqui, pelo menos pela parte de Aguiar-Branco, já há um momento para quebrar o silêncio: depois da votação final do Orçamento do Estado marcada para 11 e 12 de Março. Só a partir dessa data Aguiar-Branco falará sobre a questão da liderança do PSD.
O relógio, porém, já está a contar. O conselho nacional do partido está marcado para 12 de Fevereiro e o PSD aguarda que surjam mais candidatos além de Passos Coelho. O próprio, aliás, considerou positivo que a oposição "tivesse rosto", numa entrevista a Judite de Sousa na RTP.
Além de Passos Coelho, até agora o único candidato à liderança do PSD, há ainda a ameaça de candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. O professor tem sido ambíguo nos contactos que mantém nos bastidores da social-democracia quanto a possibilidade de concorrer.
O segredo do sucesso da candidatura de Aguiar-Branco passa por gerir bem o timing para afastar possíveis ameaças, diz ao i uma fonte da direcção do PSD: "Ele não pode avançar demasiado cedo porque se a sua imagem se desgastar na disputa com Passos Coelho corre o risco de vir Marcelo Rebelo de Sousa no papel de pacificador. E ao avançar demasiado tarde corre o risco de outro candidato se adiantar". Ou seja, "Aguiar-Branco tem três semanas para se decidir". A decisão tem de ser breve, apela Carlos Carreiras: "Quanto mais cedo os candidatos se apresentarem, melhor".




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