Dívida pública
Dívida obriga Portugal a seduzir os novos ricos: Brasil e China
Publicado em 29 de Janeiro de 2010
Finanças admitem também promoção da dívida pública portuguesa em Angola. Ideia é diversificar financiamento
A dívida pública portuguesa vai crescer cerca de 16 mil milhões de euros em 2010 e torna-se necessário diversificar os financiadores potenciais da república - é assim que pensa a equipa do Ministério das Finanças, que este ano vai intensificar a promoção da dívida e da economia portuguesa em mercados alternativos e com dinheiro para gastar, em especial na Ásia e na América do Sul.
"Há uma preocupação central de diversificação geográfica e da base dos investidores em dívida pública portuguesa", assegurou ao i Carlos Costa Pina, secretário de Estado do Tesouro. "Para além dos mercados tradicionais da Europa, Estados Unidos e Japão, há outros mercados onde temos vindo a fazer uma aposta na captação de investidores para a nossa dívida pública, seja na Ásia, como é o caso da China, seja no Brasil, onde detectamos reservas de liquidez disponíveis", acrescentou. Costa Pina admitiu também que Angola está nos alvos do esforço de promoção português. "E porque não?", respondeu ao i.
China e Brasil, duas economias emergentes que resistiram bem à crise financeira mundial, estão no topo da lista dos países com maior acumulação de reservas monetárias (ver gráfico). A força das exportações chinesas e do petróleo e das matérias-primas brasileiras explica grande parte do ritmo de acumulação de reservas destes países.
A ideia de diversificação ocorre num cenário de forte concentração geográfica dos financiadores de Portugal em países que também são os principais mercados de exportação, como Reino Unido, Alemanha, França e Espanha. Em 2009, mais de 80% da dívida emitida foi comprada por estrangeiros - os investidores britânicos, alemães, franceses e austríacos emprestaram mais de metade do dinheiro pedido pelo Estado português, segundo o "Público".
Mas diversificar é também uma forma de competir com as outras economias desenvolvidas, que estão a colocar cada vez mais dívida soberana no mercado - e só no primeiro trimestre deste ano o IGCP quer colocar entre 5,5 e 7,25 mil milhões de euros. No trabalho de promoção da dívida portuguesa, o Instituto de Gestão do Crédito Público centra--se em investidores institucionais públicos e privados (bancos, gestores de fundos e fundos de pensões). Neste plano de concorrência, Portugal enfrenta problemas acrescidos de credibilidade, com os investidores, as agências de rating e os media internacionais a colarem a imagem do país à da Grécia, minada por uma crise grave das contas públicas.
O secretário de Estado do Tesouro reconhece o problema, mas rejeita comparações. "Basta olhar para os números. O nosso rácio de dívida pública [77% do PIB em 2009] está em linha com a média em toda a zona euro, e se olharmos para os spreads da dívida pública a dez anos em 2009 verificamos que Portugal fechou o ano com um acréscimo de 54 pontos- -base, que foi o mesmo acréscimo verificado na divida pública alemã", apontou. "Não vejo que haja razões técnicas ou relativas às finanças públicas em Portugal e na Grécia que justifiquem essa comparação." Com Ana Suspiro
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