O Papa João Paulo II autoflagelava-se com um cinto como acto de penitência para atingir a perfeição cristã. Esta é uma das revelações mais surpreendentes de um novo livro, intitulado "Porque ele é santo", escrito pelo prelado do Vaticano responsável pelo processo de canonização do Papa, o polaco Slawomir Oder.
“O falecido Papa privava-se muitas vezes de alimentos e dormia frequentemente no chão, desalinhando os lençóis da cama de madrugada para que ninguém se apercebesse do seu acto de penitência", revela o livro lançado ontem.
"Perché è santo" ("Porque ele é santo", em tradução livre) já está à venda nas livrarias italianas e inclui textos inéditos, como discursos e artigos escritos por João Paulo II. Contém ainda uma carta inédita datada de 1989 em que o antecessor de Bento XVI garante que renunciaria ao cargo se sentisse que era incapaz de o exercer. João Paulo II morreu a 2 de Abril de 2005, após lutar vários anos contra a doença de Parkinson e ser submetido a várias operações.
PENITÊNCIA. Quem privou com o Papa na Polónia e no Vaticano, sabe que se autoflagelava com um cinto, guardado no armário entre a roupa, e companheiro das deslocações do pontífice, revela o livro baseado em 114 testemunhos. "Alguns dos colaboradores conseguiam ouvir quando ele se flagelava no Vaticano e inclusive durante uma viagem à Polónia", contou ontem o autor da obra numa conferência de imprensa. “Trata-se de um instrumento de perfeição cristã”, acrescentou Oder.
Outra revelação do livro é que o Papa decidiu perdoar o homem que o tentou matar – o turco Mehmet Ali Agca - a 13 de Maio 1981 na praça de São Pedro, alguns minutos depois do acto, enquanto ainda estava na ambulância que o levou ao hospital. A obra torna pública a carta aberta que o Papa polaco escreveu a Ali Agca, em 1981.
No mês passado, Bento XVI assinou um decreto que atesta as “virtudes heróicas” de Karol Wojtyla, mas o Vaticano tem de confirmar um milagre antes que João Paulo II seja canonizado. De acordo com os observadores, deverá acontecer a 16 de Outubro, data em que foi eleito Papa em 1978. Para já, a editora do livro não prevê traduzir “Porque ele é santo” em outras línguas.




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