Negócio

Motorola prepara saída do mercado português de telemóveis

por Ana Rita Guerra, Publicado em 23 de Janeiro de 2010   
Empresa congelou novos lançamentos com operadoras móveis. Negócios das outras divisões de produtos mantêm-se inalterados
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Os Motorola Razr V3 Pink foram um dos últimos sucessos da empresa em Portugal
A Motorola está a preparar uma retirada do mercado português de telemóveis, depois de três anos de quedas nas vendas que atiraram a empresa para o fundo da tabela no mercado português. A fabricante norte-americana quer sair dos mercados menos lucrativos e Portugal, onde entrou em 1994, é um sério candidato: a empresa tem 1% de quota do mercado e não vende mais que 20 mil telemóveis por trimestre.

"O ponto por decidir é como se manterá o negócio de telemóveis, pelo que estão a ser analisadas diferentes possibilidades", confirma ao i Ignacio Salcedo, porta-voz da Motorola para Espanha e Portugal. O responsável garante que as outras divisões da marca não serão afectadas, sublinhando que os negócios se mantêm inalterados "nas áreas de redes públicas e privadas, assim como na área de produtos para operadores de cabo e prestadores de IPTV [fornecedores de televisão com protocolo de internet] e também para os clientes da área de mobilidade empresarial."

O grande problema da Motorola, que apresentou ao mundo o primeiro telemóvel comercial em 1984, reside exactamente nos telemóveis. A queda das vendas começou antes da crise de 2008 e radica na incapacidade que a casa-mãe teve de lançar produtos com a mesma atractividade dos Razr, último modelo de sucesso. E a tendência não é um exclusivo de Portugal: a Motorola está a orquestrar uma retirada da Europa pelo menos desde os últimos dois anos, concentrando os investimentos nos Estados Unidos e na Ásia. Portugal, sendo um país de pequena dimensão com volumes pouco interessantes, não justifica a manutenção de uma estrutura dedicada aos telemóveis - uma área de margens curtas, que exige volume e boa distribuição.

"O declínio da unidade de negócios de telemóveis da Motorola teve várias causas, sendo que uma delas foi a falta de estratégia para o mercado de smartphones", confirma o analista Gabriel Coimbra, director de pesquisa da consultora IDC.

O desinvestimento da Motorola em Portugal é óbvio: a empresa reduziu a dimensão e o número de trabalhadores do escritório nacional, despediu a agência de comunicação e passou a gestão para Espanha. Também o deserto de telemóveis Motorola nos catálogos das operadoras é um indício de que algo não está bem. Embora nenhuma operadora queira garantir que não haverá mais lançamentos este ano, a verdade é que um gestor de produto da Vodafone admitiu ao i que "a Motorola não está muito activa em Portugal" e, para já, não há nada no horizonte. Na TMN, só está disponível a edição especial Aurora, um telemóvel que custa 1339 euros. Na Optimus só se encontra o W377, um low-cost a 39,90 euros. E na Vodafone é mais fácil encontrar auriculares Motorola que propriamente telemóveis.

A pior queda da Motorola deu-se no último trimestre de 2008, quando vendeu apenas 26 mil telemóveis - uma derrapagem de 84,8% relativamente ao mesmo período de 2007, no qual tinha vendido 171 mil. Em 2006, a marca tinha 21% do mercado português. Em 2009, não foi além de 1%.

Nos Estados Unidos a história é diferente. A empresa está a apostar tudo nos telemóveis com sistema operativo Android, da Google, que a IDC considera poderem dar "algum fôlego financeiro" à empresa. Resta saber se Portugal alguma vez vai receber os novos modelos.


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