Está preparado para a nova política 2.0?
Publicado em 13 de Maio de 2009
2009 é o ano da revolução mas há muitos portugueses que ainda estão habituados à política do saco de plástico
"Obrigado por te registares no Movimento 2009. Queremos que participes, que te envolvas e que dinamizes connosco o teu e o nosso Movimento2009." Quando a confirmação do registo no site de apoio a José Sócrates chega à caixa de email, o cumprimento é sempre cordial. Todos são tratados por tu. A mensagem não apela ao voto - os especialistas da comunicação política dizem que isso já não funciona. Apela-se à participação e, espera-se, no dia das eleições isso traduz-se numa cruz no lugar correcto.
A estratégia resulta nos Estados Unidos, e em Portugal? Os portugueses estão preparados para uma campanha 2.0? A maioria dos líderes partidários não está: nenhum tem conta no Twitter e só usam o Facebook para repetir a sua imagem institucional. António Cunha Vaz acredita que "parte do eleitorado está preparada, mas outra parte não está". Para o dono da Cunha Vaz, empresa que foi responsável pela comunicação do PSD, "há especificidades no caso português que têm de ser tidas em conta. Cá, os blogues têm uma implantação fortíssima que não acontece noutros países". É este aspecto que Cunha Vaz acha que muitas pessoas não percebem e que leva a que se cometam alguns erros. "A angariação de fundos através da internet que se faz na América, e que o PSD está a tentar fazer, pura e simplesmente não funciona." O especialista não duvida: "Se esperam o mesmo efeito que nos Estados Unidos podem ficar sentados. Nem um décimo."
O estratega de comunicação Rui Calafate tem a mesma opinião: "Portugal ainda não atingiu um grau de desenvolvimento das redes sociais que permita assistir a uma campanha à Obama", garante o ex-consultor de Santana Lopes nas autárquicas de 2001.
Rui Oliveira e Costa, da Eurosondagem, diz que "Portugal não é um país infoexcluído", mas que "litoral é uma coisa e interior é outra; um jovem de vinte anos e uma idosa de 60 também são muito diferentes". O especialista em sondagens acredita que esta aposta política numa campanha 2.0 deve-se, sobretudo, ao facto de os políticos "quererem aparecer na fotografia como os novos Obama."
Salvador Da Cunha, Presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Comunicação, acredita que as próximas eleições possam ser as primeiras com alguma vertente de web 2.0, mas "de forma ainda incipiente. Nem que seja porque os portugueses ainda não têm um posicionamento tão online como os norte-americanos". Apesar da taxa de utilização da internet nos dois países ser muito semelhante (cerca de 72%), o especialista acredita que a situação não é comparável. "O nosso eleitorado ainda está um pouco distante destas tecnologias. Ainda não chegámos à altura de substituir os tempos de antena na televisão pelos discursos no YouTube."
Já António Laranjeira alerta para o risco de existir um desfasamento "entre os efeitos que se esperam e os que serão alcançados" nestas eleições: "As expectativas são demasiado elevadas para o que será a realidade portuguesa."
Quase todos acreditam que as eleições deste ano vão marcar a transição. Há quatro anos existiam sites e blogues, mas hoje, garantem, ainda não dispensamos os pins, as T-shirts e as canetas.
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