José Sócrates e o pântano

Publicado em 23 de Dezembro de 2009   
Paulo Pedroso resumia no Twitter o debate quinzenal de ontem no Parlamento: "Porque instiga Sócrates a escalada de discurso do PS em relação ao Presidente da República? Que movimento do PR antecipa? Veremos. Por enquanto a lógica escapa-me." O ex-deputado socialista que foi ministro do Trabalho de António Guterres estranha o que se tornou a estratégia de Sócrates: o confronto aberto com os dois órgãos de soberania com os quais um governo minoritário tem de se entender - Presidência e Assembleia da República.

A escalada verbal de algumas figuras do PS, como os deputados Sérgio Sousa Pinto e Ricardo Rodrigues, obviamente instigados por Sócrates contra o Presidente da República, só pode ter duas intenções. Por um lado, forçar eleições antecipadas no próximo ano, contando com estado comatoso do principal partido da oposição, ainda à procura de um novo líder. Por outro, preparar o caminho para a apresentação de um candidato presidencial socialista para 2011 - e tudo parece indicar que será Manuel Alegre.

Porém, como se viu no debate parlamentar, a estratégia é muito arriscada, até por ser tão transparente para todos os líderes dos partidos da oposição, de Francisco Louçã a Paulo Portas. José Sócrates conseguiu, aliás, o impensável: pôr Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã a defender o Presidente da República contra os ataques do PS.

Em tempos que já lá vão, António Guterres pediu a demissão por causa do "pântano democrático" em que o país se estava a atolar. O primeiro-ministro prefere a agitação. Mas uma das regras básicas de sobrevivência para quem cai num pântano é que não se deve mexer muito. Para José Sócrates, já é tarde de mais para parar.

Editor do Zoom


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