Ciência

Portugal vai ter centro na investigação do cancro

Publicado em 09 de Maio de 2009   
Pólo de investigação científica da Fundação Champalimaud é inaugurado a 5 de Outubro de 2010. Centro para o Desconhecido vai juntar ciência básica e clínica nas mesmas instalações
Pólo de investigação começa a funcionar a 5 de Outubro de 2010

Vai ser o primeiro centro de investigação e tratamento de metástases do cancro do mundo. A Fundação Champalimaud apresentou hoje o plano para o estudo da doença oncológica, o terceiro pólo científico da instituição depois do investimento nas neurociências e do prémio atribuído anualmente na área da visão.

"Entramos nesta área com a noção de que o peso social do cancro ainda é muito grande, comparado com a investigação que é feita", reconheceu esta manhã Leonor Beleza, presidente da fundação. "A União Europeia reconhece que a investigação é deficitária. Em Portugal ainda há uma grande separação entre os avanços científicos e os tratamentos", sublinhou.

Além do contributo para o conhecimento do cancro, o  Centro Champalimaud de Investigação e Tratamento de Metástases, que vai funcionar nos edifícios em construção na zona ribeirinha de Pedrouços, em Lisboa, permitirá a consulta diária de 300 doentes. A combinação da vertente laboratorial com a clínica transforma-o no primeiro centro de investigação translacional no país, uma tendência em vários pólos internacionais. 

Em conferência de imprensa, Leonor Beleza avançou que, apesar do edifício em Lisboa só estar operacional em Outubro de 2010, já há investigação a ser feita. Parcerias assinadas com os laboratórios do Weil Cornell Medical College, Harvard Medical School e da Princeton University, nos Estados Unidos, representam um investimento de 2 milhões de euros, para os próximos cinco anos. James D. Watson, Nobel da Medicina em 1962, um dos responsáveis pela descoberta da estrutura da molécula de ADN, o modelo da dupla hélice, será o principal consultor científico do projecto.

Quantos aos investigadores a contratar, ainda não há números mas não haverá diferenças na selecção de cientistas portugueses e estrangeiros. "Teremos os melhores. Temos uma política de contratação competitiva, logo lutamos pelas pessoas que queremos. Queremos equipas capazes de se renovarem", disse Leonor Beleza.



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