Kate e Gerry McCann, pais da criança inglesa desaparecida em 2007 no Algarve, vão estar hoje em Lisboa no início do julgamento da providência cautelar sobre a proibição de venda do livro de Gonçalo Amaral "Maddie - A Verdade da Mentira".
De acordo com fonte ligada à família inglesa, o casal McCann viajou para Lisboa na quinta-feira, ao final da tarde, e apenas assistirá à primeira audiência na 7.ª Vara do Tribunal Cível de Lisboa, no Palácio da Justiça, com início às 09:30 de hoje.
Kate e Gerry McCann estarão ausentes nas sessões de julgamento programadas para 14 e 16 de Dezembro, em que Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária (PJ), continuará a apresentar oposição à argumentação da família McCann, que fundamentou o procedimento cautelar temporário de retirar o livro do mercado.
Os pais de Madeleine McCann, desaparecida em 03 de Maio de 2007 na Praia da Luz, no Algarve, alegam que o livro e o vídeo comercializado após um documentário exibido na TVI divulgam a tese de Gonçalo Amaral, que consideram insustentável, de que os dois estão envolvidos no desaparecimento da filha.
Por isso, através de requerimento apresentado pela advogada Isabel Duarte, o casal britânico pediu ao tribunal a retirada do mercado, embora com carácter provisório, do livro e do vídeo, que acabou por ser decretada a 09 de Setembro.
A este processo, em que além de Gonçalo Amaral são visadas a editora Guerra & Paz, a produtora Valentim de Carvalho e a TVI, está anexa a acção principal, em que a família McCann reclama protecção de direitos, liberdades e garantias.
A correr trâmites encontra-se também outra acção contra Gonçalo Amaral, com a acusação de declarações consideradas difamatórias, na qual o casal britânico pede uma indemnização de, pelo menos, 1,2 milhões de euros.
Associada a este processo, foi pedida ao tribunal uma medida cautelar de arresto de bens, ainda não concretizado e a aguardar cumprimento de diligências por parte do tribunal.
O livro "Maddie - A Verdade da Mentira", o mesmo título do documentário exibido na TVI, foi publicado em 2008 e lança a suspeita de que os pais da criança terão participado na ocultação do cadáver.
Na qualidade de coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral integrou a equipa de investigadores que tentou apurar o que aconteceu a Madeleine McCann.
Depois da constituição de Robert Murat como arguido, Kate e Gerry McCann, que sempre reivindicaram que Madeleine foi raptada, foram constituídos arguidos em Setembro de 2007.
Mas, tal como o cidadão luso-britânico, o casal inglês foi ilibado em Julho de 2008 por falta de provas para sustentar a hipótese avançada pelo inquérito de alegada morte acidental da menina.
O Ministério Público acabou por arquivar o processo, que poderá ser reaberto se surgirem novos dados sobre o desaparecimento da criança.




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