Proibição de minaretes na Suíça: Vaticano contra, ONU preocupada

por Sandra Pereira com agências, Publicado em 30 de Novembro de 2009   
Os minaretes são elementos arquitectónicos das mesquitas

A aprovação da interdição de construir minaretes nas mesquitas suíças está a suscitar vivas críticas da parte de várias entidades religiosas e organizações internacionais. Depois da condenação da Amnistia Internacional, o Vaticano e a ONU também se manifestaram hoje contra a decisão aprovada ontem por referendo. Líderes mulçulmanos de todo o mundo, nomeadamente na Indonésia e no Egipto, também condenaram a interdição dos minaretes na Suíça.

O Vaticano declarou hoje seguir "a mesma linha que os bispos suíços", que ontem apontaram que a votação foi "um golpe contra a liberdade de religião". "Não vejo como se pode impedir a liberdade de religião de uma minoria ou impedir que um grupo de pessoas tenha a própria igreja", disse o presidente do Conselho do Pontifício para os migrantes, Mrg Veglio. "Notámos um sentimento de aversão e medo por toda parte, mas um cristão deve saber ultrapassar isso, mesmo se não houver reciprocidade", acrescentou.

Já um responsável especial da ONU para a liberdade religiosa admitiu sentir uma "profunda preocupação" sobre a proibição de minaretes na Suíça, alegando ser uma "discriminação clara contra os membros da comunidade muçulmana no país".

"Tenho uma profunda preocupação com as consequências negativas do resultado do referendo sobre a liberdade de religião ou da crença dos membros da comunidade muçulmana na Suíça", transmitiu Asma Jahangir num comunicado.

A mesma responsável acrescentou que a Comissão dos Direitos Humanos alertou recentemente o país que esta decisão é contrária às obrigações da Suíça ao abrigo do direito internacional e pediu às autoridades para tomarem medidas "para proteger plenamente o direito à liberdade de religião".



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