Especialista

Brinquedos e presentes

por Inês Teotónio Pereira, Publicado em 28 de Novembro de 2009   
Ouvi isto na fila do Toys "R" Us: "Pai, a avó disse que se nós tivermos mais brinquedos temos de comprar uma casa maior para eles caberem lá todos ou então temos de ir viver para o telhado."

O pai olhou para a filha de quatro anos (ou menos), que estava visivelmente preocupada com a perspectiva de mais tarde ou mais cedo ter de ir viver para o telhado, e esperou dez segundos, pressionado pela expectativa de toda uma fila de clientes do Toys "R" Us, até tomar uma decisão. Ao fim dos dez segundos sorriu para a fila e foi arrumar os dois brinquedos. Depois saiu.

Serviu esta preocupação da menina que tinha medo de ir viver para o telhado para me pôr a pensar - já que não tive lata de sair dali - e concluir: as crianças não querem mais brinquedos, mais tralha. Fartaram-se. Cada vez gastam menos tempo a brincar com coisas novas - um brinquedo novo nas mãos de uma criança desvaloriza mais que um carro ao fim de 30 anos. Quem gosta de comprar brinquedos são os pais. Os filhos gostam de brincar. E não há grande diferença entre os mais e menos afortunados: há preços para todos os bolsos e tudo a todos os preços.

Sendo assim, como resolver os problemas dos presentes de Natal? O que dar às criancinhas, se elas já têm tudo ou se é impossível terem tudo o que querem? Uma vez perguntei a um dos meus filhos o que é que ele queria receber nos anos. A resposta foi simples: "Uma surpresa." Claro: é a diferença entre um presente e um brinquedo.

Jornalista

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