As múltiplas sementes dos Ornatos

por António Pires, Publicado em 26 de Novembro de 2009   
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HÁ DEZ ANOS foi editado o segundo e último álbum de uma das melhores e mais originais bandas portuguesas de sempre, os Ornatos Violeta. Chamava-se "O Monstro Precisa de Amigos" e sucedia ao disco de estreia, "Cão!" (1997). Um terceiro álbum - "Monte Elvis" ou "Rói, Rói, Galinha Roy" - esteve em pré-produção mas nunca viu a luz do dia, devido a divergências que levaram à implosão do grupo em 2002. A notícia do fim dos Ornatos foi recebida com imensa tristeza pelos seus fãs, um grupo extenso que ainda hoje se mantém activo - através de um fórum no site de Manel Cruz - e que justifica plenamente, entre outras coisas, a actual rodagem de um documentário dedicado à banda, "Monstruário", realizado por Gonçalo Castro. Mas o que os seus fãs não sabiam, não poderiam saber, era que alguns dos membros dos Ornatos Violeta viriam a ter carreiras a solo com música tão boa ou melhor que a dos Ornatos. E se alguns deles - Elísio Donas (ex-Per7ume e Homem Moscovo), Peixe (ex-Pluto, agora Zelig) e Kinorm (ex-Homem Moscovo, agora Plus Ultra) - têm tido carreiras algo discretas, já Manel Cruz (ex-Pluto e Supernada; agora Foge Foge Bandido) e Nuno Prata - cujo segundo álbum a solo, "Deve Haver", está prestes a ser editado - têm mantido bem viva a herança dos Ornatos Violeta. A herança transcende os próprios músicos da banda e é uma influência fundamental em grupos novos, exteriores, como os Virgem Suta, Diabo na Cruz, doismileoito, Oioai ou Suite Zero.

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