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Este homem está farto de ser dono da Fnac
por Ana Rita Guerra, Publicado em 25 de Novembro de 2009
François-Henri Pinault quer sair do retalho e investir mais nas suas marcas de luxo, como Gucci e Yves Saint Laurent
Há quatro anos que o milionário François-Henri Pinault anda a tentar vender a Fnac e a Conforama. Administrador- -delegado do gigante PPR S.A. (Pinault--Printemps-Redoute), que detém marcas de luxo tão sonantes como Gucci e Yves Saint Laurent, Pinault tem uma equipa de 12 pessoas à procura de bons compradores para as duas cadeias europeias. "Bons" significa que estarão disponíveis para pagar algo como quatro mil milhões de euros pelas marcas. A intenção estava a ser desenhada desde 2006, mas foi interrompida pela crise mundial. Agora que os mercados financeiros estão a voltar ao normal, Pinault decidiu voltar à carga.
"Quanto mais cedo, melhor", disse o CEO do grupo PPR em entrevista ao "Wall Street Journal", referindo-se à alienação de todos os seus negócios de retalho - Fnac, Conforama e ainda Redcats, o negócio de venda por catálogo que inclui a conhecida La Redoute.
Deste portefólio de empresas, a cadeia de música, livros e electrónica Fnac é a que mais se destaca. A marca está presente em vários países europeus e já abriu lojas no Brasil e em Taiwan, mas continua a fazer 70% da facturação no país de origem - França. Este é o problema fundamental. Não se trata de uma questão de lucros: as três unidades de retalho do PPR representaram mais de metade das vendas do grupo em 2008, que atingiram os vinte mil milhões de euros.
"O retalho é um negócio que não se consegue desenvolver rapidamente no estrangeiro", diz François-Henri Pinault na entrevista ao "Wall Street Journal", sublinhando que os consumidores demoram demasiado tempo a habituarem-se a nomes desconhecidos.
No entanto, a visão do empresário parece arriscada. O grupo PPR, que pertence em 41% à holding da família Pinault, Artemis, só está verdadeiramente ligado às marcas de luxo há dez anos - desde que o pai do actual CEO comprou o grupo Gucci por 7,2 mil milhões de euros. Na última década, a Fnac e as outras marcas de retalho funcionaram como uma âncora para o grupo, dado que as vendas do sector de luxo são mais voláteis. Prova disso é o recuo de 6,4% nas vendas do terceiro trimestre do grupo Gucci, que inclui as marcas Yves Saint Laurent, Sergio Rossi, Balenciaga e Stella McCartney. Pinault sabe que não pode vender a Fnac sem comprar outras marcas de carácter internacional. Foi por isso que comprou 69% da Puma em 2007 e é por isso que a mesma equipa de 12 pessoas que anda à procura de compradores fez uma wishlist de empresas a comprar nos próximos tempos. Pinault não referiu nomes, mas deu a entender que se trata de marcas relacionadas com actividades de exterior, tais como alpinismo, desportos aquáticos ou de rua.
Há, entretanto, uma terceira hipótese. Pinault perdeu a oportunidade de fechar negócio quando os investidores interessados saíram de jogo, afectados pela crise de liquidez que se abateu nos mercados financeiros em 2008. O CEO, que em 2005 ordenou a venda da emblemática Printemps, sabe que esta é uma boa altura para recuperar a estratégia, ou não teria dado a entrevista ao "Wall Street Journal". Mas se o PPR não encontrar compradores disponíveis para pagarem as somas pedidas, a Fnac pode ser dispersa em bolsa. Apesar de facturar sobretudo em França, a cadeia é líder de mercado também em Portugal, Espanha e Bélgica, e a sua marca tem força nos outros países europeus onde está presente - Itália, Grécia e Suíça.
Já no caso da Conforama, que tem 240 lojas em sete países da Europa (incluíndo Portugal), o poder da marca é diferente. Movimenta-se no mobiliário de baixo custo e não tem como competir com a gigante sueca IKEA, apesar de estar no mercado há muitos mais anos. Foi comprada pelo PPR em 1991 e afirma ser a segunda maior na área do mobiliário doméstico. Mas a sua expansão para fora da Europa, tal como a Fnac, tem poucas hipóteses de sucesso.
Em Portugal não foi possível obter uma reacção oficial da Fnac, até porque a casa-mãe ainda não tomou qualquer decisão. O território português é o terceiro maior da marca na Europa e tem superado a crise com alguma facilidade, tendo facturado quase 330 milhões de euros em 2008. Este ano, o crescimento das vendas nas lojas está a ser menor, mas registou-se um salto de 25% nas compras através do site. Com 15 lojas distribuídas pelo continente e pelas ilhas, a Fnac é líder absoluta do mercado de música e electrónica e tem previstas mais três aberturas até 2012, num investimento de 10,5 milhões de euros.
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