Sporting

Veloso é o motor do Sporting de Carvalhal. Mas a lateral esquerdo

por Rui Catalão, Publicado em 23 de Novembro de 2009   
Começou como médio mais recuado. Mudou-se para a esquerda ao intervalo e deu à equipa leonina o que faltava: golos e velocidade
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Miguel Veloso e Matias Fernandez
O fantasma da crise teve uma breve aparição no Restelo. Pairou durante os primeiros 45 minutos e chegou a ajudar à festa dos Pescadores. A defesa do Sporting assustou-se, o meio-campo encolheu-se e o ataque escondeu-se. Mas tudo se compôs quando Carlos Carvalhal decidiu mexer na equipa ao intervalo: tirou Grimi, passou Veloso para a esquerda e fez entrar Hélder Postiga.

O Sporting, que tinha entrado nervoso (o golo de Tó-Zé foi o melhor exemplo disso), uniu-se para mostrar ao novo treinador aquilo que pode render nesta nova era. Miguel Veloso cumpriu onde os laterais tinham falhado - defendeu bem e atacou melhor - e tornou-se a solução para os problemas de Carvalhal. Os leões jogaram mais e melhor, com o livre de Veloso a servir de engrenagem para uma segunda parte mais convincente, sem ser espectacular.

Apesar do pouco tempo de trabalho, Carlos Carvalhal tentou dar um toque pessoal à sua equipa. Apostou numa frente de ataque móvel, com Vukcevic, Matías e Pereirinha no apoio directo a Liedson, só que a inovação surtiu pouco efeito. A falta de apoio dos laterais, essenciais para o modelo funcionar, deixou a máquina empenada: Abel e (sobretudo) Grimi deixaram muito a desejar.

Carvalhal saboreou pela primeira vez a sensação de se sentar no banco de um grande do futebol português, mas por pouco tempo. O técnico minhoto passou grande parte do tempo em pé, a gesticular para o relvado. Concentrado, procurou corrigir os desacertos da equipa (que na primeira parte foram muitos). E nem mesmo quando o Sporting já ganhava por 4-1 o treinador procurou recostar-se no seu lugar.

Conclusões A uma semana do dérbi com o Benfica, a partida com os Pescadores serviu para Carlos Carvalhal perceber até que ponto pode mexer na estrutura deixada por Paulo Bento. No lado esquerdo da defesa, há um problema com solução à vista - Grimi e André Marques não convencem nem o mais convicto adepto - e o próprio Miguel Veloso tem noção disso. Mais, faltou apoio a Liedson no 4x2x3x1 ensaiado hoje. Assim que Postiga apareceu ao seu lado, o Levezinho ganhou logo outra disponibilidade para semear a confusão na área dos Pescadores. O outro factor importante nesta equação acabou por ser Bruno Pereirinha, que provou estar à altura, sobretudo enquanto Izmailov não regressar à equipa.

Festa nas bancadas Taça é Taça e os clubes mais pequenos dão sempre outro colorido. Neste caso, o mote foi dado pelo speaker da Caparica: "O orçamento do Sporting é 300 vezes maior que o nosso, por isso temos de jogar 301 vezes mais do que eles." As palavras de ordem recolheram aplausos na bancada reservada aos adeptos dos Pescadores e serviram de máxima para os jogadores, que se aguentaram enquanto foi possível.

O último registo vai para os adeptos do Sporting. Qualquer dúvida em relação ao apoio incondicional à equipa ficou hoje dissipada. As claques não se calaram por um segundo, nem mesmo quando os Pescadores surpreenderam Rui Patrício. No final, os jogadores prestaram o devido tributo. Os sorrisos voltaram ao reino do leão.


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