Masters
Força nos braços e rímel nas pestanas. Há que agradar a Sua Majestade
por Mariana Pinheiro, Publicado em 23 de Novembro de 2009
Andy Murray, o anfitrião a pedido de Isabel II, venceu irritado o primeiro encontro dos Masters do ATP
Por instantes, apanhámos um susto. E a ideia de que errámos o dia faz-nos procurar novamente a agenda que assinala a data de início do ATP World Tour Finals. O O2 Arena, em Londres, assemelha-se mais a um desfile de moda do que a um torneio de ténis que reúne alguns dos melhores atletas da modalidade. A um canto está Nadal, sentado e impávido enquanto lhe esfregam base na cara para ficar com um ar mais saudável sob a luz fria dos holofotes. Mais adiante, embrulhados num rol de camisas, gravatas, sapatos e fatos à medida, estão os outros sete magníficos, perfilados como convidados que chegaram cedo demais para o casamento.
As duas horas que se seguem são a sorrir para o fotógrafo e a fazer pose em frente de um autocarro londrino, vermelho, e de dois andares. Dali sairão as fotografias que vão correr o mundo e publicitar o evento que já vendeu mais de 250 mil bilhetes. Mas a operação de cosmética já tinha começado antes, com a mudança do nome do torneio. Deixou de ser Masters Cup, designação usada até ao ano passado, para ATP World Tour Finals. Só para ficar mais bonito nas faixas penduradas à entrada do pavilhão.
Finalmente o circo chegou à cidade. Londres recebe pela primeira vez, desde o início do evento em 1970, o torneio que encerra a época e que conta com os oito melhores do mundo [Andy Roddick, sexto no ranking ATP, não veio e foi substituído por Robin Soderling, que ocupa o nono lugar]. Andy Murray, agora em quarto, ficou com responsabilidade acrescida: será o anfitrião da festa. E não há recusa possível, a própria rainha Isabel II escreveu, em mão, cartas ao tenista britânico com o pedido especial. Mas o que a priori poderia ser uma tarefa agradável, logo se tornou num mar de confusões. Greg Rusedski, antigo número um britânico, e Barry Cowan, tenista mais conhecido por ter arrastado Pete Sampras até ao quinto set, em Wimbledon 2001, começaram a dar palpites sobre como Murray deveria jogar. "Andy Murray precisa de atacar mais se algum dia quiser ganhar um Grand Slam". A resposta não tardou. "Yeah, quem são esses experts? Barry Cowan? Greg Rusedski? Eu acho que sei mais de ténis do que o Barry e o Greg juntos. Eu trabalho muito com a minha equipa de treino e estudamos ao pormenor qual o melhor plano de jogo. Se for para o O2 Arena fazer um jogo ultra-agressivo e perder todos os encontros, as pessoas vão perguntar: 'Que raio estás a fazer?'", disse o tenista escocês ao Telegraph. "Independentemente do que as pessoas pensam, mesmo que não ganhe um torneio importante na minha carreira, posso sempre olhar para trás e dizer que gostei da maneira como joguei. E, infelizmente, nem todos os tenistas pensam assim".
Mas Murray não precisa de se preocupar por enquanto. Ontem venceu o argentino Del Potro, quinto no ranking, por 2 sets a 1, com parciais de 6-3, 3-6 e 6-2. Agressivamente.
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