Política

Marcelo sossegou fiéis: deve avançar em Janeiro

por Ana Sá Lopes, Publicado em 21 de Novembro de 2009   
O partido anti-Passos está mais descansado: Marcelo envia sinais de que, na hora da verdade, dá o corpo ao manifesto
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Foi líder do PSD entre 1996 e 1999. Saiu porque Portas liquidou a AD que tinha sido aprovada no congresso do PSD
Os antipassoscoelhistas do PSD já estão mais sossegados: convenceram-se finalmente de que não precisam de arranjar um candidato alternativo, uma vez que Marcelo Rebelo de Sousa lhes garantiu que avançará para a liderança do partido quando Manuela despachar o debate do orçamento e convocar as directas.

Para já, ninguém assume a boa nova: afinal, como disse um dirigente social- -democrata contactado pelo i, "com Marcelo as informações têm de ser actualizadas quase ao dia". À idiossincrasia pessoal de Marcelo - fazem parte do património histórico do PSD as suas hesitações e mudanças de ideias - junta-se uma questão de timing político. Não é do interesse do professor anunciar qualquer intenção antes de serem convocadas as eleições directas no PSD. O próprio Marcelo Rebelo de Sousa confessou aos seus próximos que não vê qualquer interesse político em colocar-se ao mesmo nível de Pedro Passos Coelho, que já está na corrida pela liderança.

Para já, a disponibilidade de Marcelo manifestada em privado vem mostrar uma novidade: Marcelo já interiorizou que Passos Coelho não desiste de se candidatar à liderança. Na sequência da derrota nas legislativas, o ex-líder admitiu avançar caso fosse criado um "clima de unidade" e enunciou uma pré-desistência quando afirmou não estar disponível para entrar no "ringue". Mas, segundo fontes que lhe são próximas, falhada a tentativa de afastar Passos Coelho, Marcelo mantém a sua disponibilidade para avançar quando Manuela Ferreira Leite marcar as eleições directas.

Publicamente, o professor deverá dar o primeiro sinal "categórico" de que avança só em Janeiro, antes de Manuela Ferreira Leite abandonar a presidência do partido. A actual líder decidiu manter- -se em funções até terminar a discussão do Orçamento de Estado, o que vai fazer parar o próximo congresso do PSD lá para Março. E é só depois de terem sido convocadas as directas que Marcelo Rebelo de Sousa avançará formalmente para a liderança do PSD.

O calendário político também ajuda a uma decisão favorável à candidatura à liderança: Marcelo Rebelo de Sousa percebeu que não tem janela de oportunidade para ser candidato presidencial. Aliás, foi o próprio que já "anunciou" a recandidatura de Cavaco Silva a Belém quando viu no discurso de tomada de posse do governo a declaração encapotada de recandidatura de Cavaco Silva ao cargo. Já foram várias as vezes que Marcelo declarou que o PSD tem de se unir em torno da recandidatura de Cavaco, deixando perceber que ele próprio já concluiu que esse cargo lhe está vedado pelo menos nos próximos quatro anos.

Agora, a oportunidade de Marcelo para poder ganhar as próximas eleições e tornar-se primeiro-ministro aparece, aos olhos dos seus apoiantes, mais forte do que há dois anos. O caso "Face Oculta" é mais um poderoso factor de desgaste para José Sócrates e as contas sobre quanto tempo é que o actual primeiro-ministro conseguirá manter-se no cargo já são feitas nas catacumbas do PSD. Aliás, ainda antes das eleições e do caso "Face Oculta", o próprio Marcelo já tinha afirmado que, na sua opinião, esta legislatura sem maioria absoluta só iria durar dois anos.

ferreirismo em fim de festa José Pedro Aguiar-Branco decidiu o acordo com o PS para não suspender a avaliação dos professores sem que tivesse havido qualquer discussão na direcção do partido. A apresentação do projecto-lei em que a palavra "suspensão" foi apagada e surgiu a "substituição" foi negociado entre José Pedro Aguiar-Branco e Jorge Lacão, como o i noticiou no passado sábado. Mas nem o acordo foi publicamente assumido - ontem Aguiar-Branco insistia que o PSD tinha feito um acordo "com os professores e com o país" -, como até o líder parlamentar o desmentiu formalmente quando um dos membros da direcção, José Luís Arnaut, o interrogou na reunião do grupo parlamentar que decorreu na quinta-feira.

A solução mereceu uma chuva de críticas dos bastidores. O facto de o PSD dar um pontapé numa questão que estava claríssima no seu programa eleitoral, a suspensão dos professores, foi polémico. Publicamente, manifestaram reservas ao acordo Pacheco Pereira e Paulo Mota Pinto, na SIC-Notícias. Pacheco lembrou o risco do PSD perder a batalha, caso o governo estenda as negociações por mais de 30 dias, e manifestou dúvidas sobre o real lucro político.


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