Condutora envolvida no acidente que fez 17 mortos abandona sala de audiências

por Agência Lusa, Publicado em 20 de Novembro de 2009   
Opções

A condutora do veículo ligeiro envolvido no acidente na A23 que, em 2007, provocou 17 mortos, e que está a ser julgada em Castelo Branco, abandonou hoje a sala de audiências antes da reprodução de uma simulação informática do desastre.

“Não quero ver imagens”, disse Carina Rodrigo, em lágrimas.

A condutora acabou por ser dispensada pela juíza Augusta Palma pouco depois do meio-dia. As razões invocadas pela arguida “são compreensíveis face ao estado emocional que apresenta”, referiu a presidente do colectivo.

A simulação foi apresentada pelo autor, Sérgio Santos, engenheiro mecânico da empresa DEKRA, contratada pela Zurich, companhia de seguros do veículo ligeiro ligeiro envolvido no acidente juntamente com um autocarro que transportava alunos da Universidade Sénior de Castelo Branco.

Para aquele responsável, o desastre na auto-estrada A23 “foi causado pela invasão lateral [da faixa do ligeiro] por parte do autocarro. Não podia ter ocorrido de outra forma”, referiu.

Segundo Sérgio Santos, o autocarro terá invadido o corredor do ligeiro no momento da ultrapassagem, influenciando a manobra. “É coincidente o ponto inicial do desequilíbrio do ligeiro com o valor máximo da invasão”, acrescentou.

A simulação, apresentada num computador durante a sessão, foi feita prolongando para trás as marcas de travagem no pavimento, numa “recta contínua” que coloca parte do autocarro na faixa da esquerda quando estava a ser ultrapassado - antes de se dar o primeiro embate entre os dois veículos.

Em contraste, na quinta-feira, os autores do relatório pericial pedido pelo Ministério Público tinham dito que era impossível chegar a uma conclusão sobre se o autocarro tinha invadido o corredor do ligeiro.

“A posição do autocarro foi discutida horas a fio” e “não temos nenhum indício de que tenha invadido a faixa da esquerda”, disse na primeira sessão João Dias, do Instituto de Engenharia Mecânica. João Cardoso, perito do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que assinou o mesmo relatório pericial, pôs mesmo em causa a reconstituição feita na instrução do processo.

Durante a tarde de hoje é esperada a audição de outros peritos que analisaram o acidente e dos ocupantes do veículo ligeiro conduzido por Carina Rodrigo. Parte dos sobreviventes que viajavam no autocarro e cuja audição estava marcada para hoje, foram avisadas para só regressarem ao tribunal na segunda-feira, às 10:00.

A sessão de hoje foi ainda interrompida às 10:15, durante uma hora, para as juízas se deslocarem ao Centro de Saúde de Castelo Branco onde receberam a vacina contra a gripe A.

O desastre de Novembro de 2007 resultou do embate entre um ligeiro e um autocarro com alunos da Universidade Sénior de Castelo Branco. O Ministério Público acusou a condutora do ligeiro de homicídio por negligência e a instrução do processo concluiu depois que o condutor do pesado também devia ser julgado.

Para tal, contribuiu uma reconstituição no local, segundo a qual o autocarro terá invadido parcialmente a faixa da esquerda, onde o ligeiro já fazia uma ultrapassagem. Fernando Serra, condutor do autocarro, garantiu quinta-feira, no início do julgamento, não ter entrado na faixa da esquerda, mesmo depois de confrontado com fotografias da reconstituição.

Carina Rodrigo reafirmou que o autocarro entrou na faixa esquerda quando já o estava a ultrapassar e que se sentiu “apertada” como se o pesado a fosse abalroar.

Ambos são julgados por 17 crimes de homicídio por negligência e seis crimes por ofensas à integridade física.



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Comentários

Dê a sua opinião