Loucos e falidos

por André Macedo e Inês Cardoso, Publicado em 20 de Novembro de 2009   
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Teixeira dos Santos:
TEIXEIRA dos Santos acaba de pedir autorização para endividar o Estado em mais 4,9 mil milhões de euros. Há dez meses, já tinha pedido 2,8 mil milhões. Ao todo, são mais 7,7 mil milhões para tapar o buraco da receita - quase o mesmo que o país gastará em saúde pública ao longo deste ano. A recessão tem destas coisas: menos negócios, menos IVA, menos IRC, menos receita dos impostos sobre os combustíveis. Menos também significa mais: mais dívida pública, mais défice público, mais dívida externa, mais desemprego, mais dependência do Estado, mais prestações sociais. Ou seja, menos economia privada e menos expectativas. A conclusão é evidente: há um ano, quando o ministro das Finanças apresentou o Orçamento, já se sabia que o cenário era negro e as previsões catastróficas. No entanto, Teixeira dos Santos achou que o défice ia ser de apenas 2,2% - na verdade, será de 8%. O divórcio entre o ministro e a realidade é gritante. Mas o nosso problema é maior do que o ego e as previsões falhadas de Teixeira dos Santos: é o futuro do país que assusta. Os números da OCDE prometem o pior: criar emprego - emprego verdadeiro, não público - vai ser quase impossível nos próximos anos. Até 2017 o saldo real será irrelevante, o que significa que vamos ter de nos habituar a sobreviver com taxas de desemprego esmagadoras. Não se pode dizer que ontem tenhamos conhecido a face oculta da economia. Já éramos sucata antes disso. O problema é que agora não há depois. O Estado não precisa só de banda gástrica. Precisa de um colete de forças: está louco. Louco e falido.

P. S. Em 2009, ano de eleições, foram criadas mais 24 mil vagas na função pública, o triplo de 2008. Adivinhem quem paga a conta?

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