Economia

OCDE Portugal sem capacidade para criar empregos até 2017

por Bruno Faria Lopes, Publicado em 20 de Novembro de 2009   
Na maior parte da próxima década, a criação de riqueza será anémica - inferior a 1,5%
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Portugal enfrenta um longo período de estagnação económica que implicará uma incapacidade quase total para criar riqueza e emprego até 2017, apontou ontem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). No boletim ontem publicado com as previsões económicas para os 30 países membros da organização, a OCDE segue o guião adoptado nas últimas semanas pelo Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco de Portugal sobre a evolução da economia nacional: em 2009 a crise internacional não terá um impacto tão grande como esperado, mas ao longo da maior parte da próxima década o ritmo médio de criação de riqueza não ultrapassará 1,4%, o segundo mais baixo na OCDE.

"O crescimento recomeçou no segundo trimestre de 2009, mas continuará limitado na medida em que a redução do endividamento do sector privado condiciona a retoma", aponta o capítulo sobre Portugal, ontem publicado no "Economic Outlook". Tal como as restantes instituições (ver tabela), a OCDE reviu em alta as previsões para Portugal: em 2009 a economia encolhe 2,8% (em vez dos 4% anteriormente previstos) e em 2010 cresce 0,8%. Para 2011, a OCDE prevê um ritmo de expansão de 1,5%.

O problema fundamental coloca-se, no entanto, a médio e longo prazo: já com a crise internacional fora do cenário, Portugal volta a confrontar-se com as suas fragilidades estruturais, como o sobreendividamento (que vai limitar o consumo privado), o peso excessivo de bens não exportáveis na economia (o sector dos serviços, na maioria não transaccionáveis, pesa 66% na riqueza criada) e a competitividade baixa de parte das suas exportações (que terão crescimento escasso). Resultado: sem as "reformas estruturais que promovem a competitividade" - e que "são a chave para um crescimento mais alto via exportações", aponta a OCDE - Portugal acumulará mais uma década de anemia económica. Os números ontem divulgados são preocupantes: o potencial de crescimento médio anual da economia portuguesa cai para 0,4% entre 2009 e 2011, para subir para uns magros 1% entre 2012 e 2017, o segundo nível mais baixo na OCDE.

A falta de músculo na economia terá um reflexo natural na criação de emprego. "Espero que as pessoas se apercebam disto: o mercado de trabalho não voltará ao que era", afirmou esta semana ao i Pedro Adão e Silva. "O desemprego vai ficar estruturalmente mais alto, não vai haver crescimento que justifique grandes recuperações como no passado." A OCDE confirma: entre 2009 e 2017, o potencial de crescimento do emprego será nulo; a título indicativo, para 2017 a OCDE aponta uma taxa de desemprego de 7,4%, um valor mais pequeno que em 2010 muito por via do aumento do número de pessoas inactivas. No final de Outubro estavam inscritas 517 mil pessoas no fundo de desemprego, divulgou ontem o Instituto do Emprego e Formação Profissional.

A OCDE admite que as medidas de apoio à economia se mantenham em 2010 (com a respectiva factura no défice), mas não desarma em relação à correcção das contas públicas. "Apesar do crescimento anémico, implementar a consolidação orçamental é da maior importância", aponta o documento. A partir de 2011, o Estado será de novo um factor penalizador da economia.


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