Mundial

Portugal tem África do Sul tatuada na pele

por Rui Tovar, Publicado em 19 de Novembro de 2009   
Raul Meireles marca golo que qualifica selecção para terceiro Mundial seguido
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Nós também já fomos pequenos e quantas vezes não perguntámos durante uma viagem no banco de trás: "Falta muito?" (isto antes de dizermos que estávamos enjoados e depois já só havia tempo de nos esticarem o belo do saco de plástico).

Com esta selecção portuguesa, o esquema foi parecido. Falta muito? Para chegar à África do Sul, claro. E o belo do saco de plástico sempre à mão de semear, com muitos enjoos pelo meio como no 2-3 com a Dinamarca em Alvalade, no 0-0 com a Albânia em Braga, no duplo 0-0 com a Suécia, em Gotemburgo e no Dragão, no 2-1 com a Albânia em Tirana, no 1-1 em Copenhaga com a Dinamarca, no 1-0 à Bósnia na Luz.

Em Zenica, na exibição mais segura da selecção nacional em termos defensivos e anti-sobressaltos, a viagem chegou finalmente ao seu termo após 15 meses de ansiedade e Portugal vai mesmo à África do Sul, com escala na Cidade do Cabo para o sorteio do dia 4 de Dezembro. É a sexta fase final seguida, depois dos Europeus 2000, 2004 e 2008 e dos Mundiais 2002 e 2006.

E, desta vez (atenção, muita atenção), sem Bosingwa, Deco e Cristiano Ronaldo, três indiscutíveis da selecção nacional. O defesa e o avançado nem viajaram para Bósnia, enquanto o médio deu o lugar a Tiago e saltou para o banco de suplentes à conta de uma mialgia - e eu que desejava escrever isto há tanto tempo... Como apronto, uma outra forma de dizer treino. Que foi o que se passou com a selecção. Contra 16 mil pessoas, é verdade. Contra os buracos e os tufos do relvados, é bem verdade. Mas um treino na realidade, porque a Bósnia não soube perturbar os quatro defesas contrários, quanto mais o guarda-redes Eduardo, que passou uma noite tranquila e prolongou a série de imbatibilidade para 498 minutos.

O REI DAS TATUAGENS Já lá vai o tempo em que nos concentrávamos e dobrávamos a língua para dizer Bósnia-Herzegovina. Agora, o nome sai à primeira e foram eles que ouviram gritar Portugal, o 30.º e antepenúltimo país a carimbar o passaporte para África do Sul.

Raul Meireles, o rei das tatuagens, é o homem de quem se fala. É o novo Maniche na forma como entra na área e decide jogos mascarado de avançado. O médio portista redimiu-se do incrível falhanço na primeira parte com o golo da vitória (a quinta seguida nesta segunda era-Queiroz), após bela abertura de Nani, antecedida de um compasso de espera que fez escorregar Pandza.

REGRESSO AO PASSADO Daí em diante, os bósnios perderam-se completamente. Dentro e fora do campo, o que forçou uma paragem de quatro minutos aos 73' quando um dos assistentes do árbitro italiano Rosetti foi atingido por um objecto ("voador", imagine-se!) das bancadas. E Portugal esteve muito mais perto do 2-0 do que a Bósnia do injusto empate. Os enjoos foram substituídos pela boa disposição. Já chegámos ao destino.


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