As fragilidades de Obama
por Bernardo Pires de Lima, Publicado em 19 de Novembro de 2009
Se Obama define a relação com a China como a mais importante da actualidade, tal não pareceu motivo suficiente para motivar uma visita exclusiva a Pequim. Afinal ainda há alianças asiáticas a preservar (Japão, Coreia do Sul) e convém não estender o tapete à China precipitadamente: em Washington habita um poderoso Congresso que não simpatiza particularmente com a desvalorização da moeda chinesa nos mercados internacionais. Daqui a um ano, uma fatia destes congressistas vai a votos e o eleitorado olhará mais para a sua conta bancária e menos para a belíssima oratória de Obama.
A visita à China mostrou também a falta de vontade política dos principais decisores numa iniciativa mais arrojada no combate às alterações climáticas, tendo em conta que Estados Unidos e China são responsáveis por 40% da emissão global de gases - ou seja, são parte do problema e da solução ao mesmo tempo. Por um lado, a economia chinesa e, por via disso, a sustentabilidade do regime, depende do crescimento dos últimos anos. Inverter os números seria um passo atrás na afirmação global de Pequim. Por outro lado, semelhante diagnóstico inibe Obama de ir além da cosmética narrativa: é no Senado que reside o poder de ratificação de tratados internacionais, um equilíbrio interno que se tem revelado difícil de conquistar em diversas políticas públicas com origem na Casa Branca. Não vale a pena escondê-lo mais: Obama é mais frágil do que o mundo pensou.
Investigador universitário
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: As fragilidades de Obama
Comentários