Sporting

Carlos Carvalhal. Ao sexto fracasso chegou o convite do Sporting

por Bruno Roseiro, Publicado em 16 de Novembro de 2009   
Bettencourt esquece a "cagança" e contrata solução nacional, barata e sem direito a um minuto de estado de graça.
José Eduardo Bettencourt, o mesmo presidente que exigiu mais "cagança" à equipa de futebol, acabou por optar por uma solução, no mínimo, modesta para a sucessão a Paulo Bento. Carlos Carvalhal, que ao longo de 12 temporadas como treinador somou seis fracassos e dois momentos altos, no Leixões e no Setúbal, é o sucessor de Paulo Bento. Perdão de André Villas Boas. Perdão de José Pekerman. Eis a crónica da contratação de um técnico bracarense de 43 anos a quem não é permitido um minuto de estado de graça. No próximo fim-de-semana, os Pescadores da Costa da Caparica são o primeiro teste, no Restelo, para a Taça.

Etapa 1 - Especulação Possíveis sucessores de Paulo Bento? 3. É verdade, 30. Com um problema - José Eduardo Bettencourt não está em condições de decidir e, no adeus de Bento, tenta até agredir um sócio. "O treinador vai ser do sexo masculino, caucasiano...", diz. Só há uma certeza, noticiada pelo i: Sá Pinto vai voltar ao futebol leonino. Leonel Pontes comanda a equipa em Vila do Conde mas, mais uma vez, o Sporting empata e os jogadores são apupados. "Há terrorismo e sei bem quem é o Batasuna", diz o presidente. Alvalade está a ferro e fogo, mas há uma vontade em escolher um novo patrão. Carlos Freitas é prioritário. 

Etapa 2 - Perfil Bettencourt assume a pasta do futebol e é pelo líder que passam todas as decisões. Freitas Lobo, nome que já tinha sido falado no final da última época, é forte hipótese para gestor de activos na sombra. Carlos Freitas recusa regressar a Alvalade e o cargo de director desportivo é descartado. Assim, os leões terão apenas um director para o futebol (Sá Pinto) e uma nova equipa técnica, de preferência portuguesa. Adriaanse, Terim e Pekerman são indicados ao presidente mas não encaixam.

Etapa 3 - Contactos Manuel José recusa sair do comando de Angola, Manuel Machado não quer abandonar o Nacional e Jorge Costa dá nega a Sá Pinto, entretanto confirmado como director. Enquanto os técnicos estrangeiros enviavam currículos (Juande Ramos), ou mostravam disponibilidade (Adriaanse, Pekerman ou Terim), os responsáveis leoninos reuniam todas as condições - ordenado, projecto, reforços... - dos outros alvos: Villas Boas, Cajuda, Vingada ou Paulo Sousa. Carlos Carvalhal é falado pela primeira vez mas não constitui prioridade.

Etapa 4 - Eleito André Villas Boas é o escolhido de Bettencourt e reúne total apoio de Sá Pinto. São feitos os primeiros contactos exploratórios e, quinta-feira à noite, clube e treinador chegam a uma plataforma de acordo no restaurante Pabe, em Lisboa (já com a presença do novo team manager, Salema Garção). Mas sexta-feira muda tudo: por um lado, a Académica mostra-se intransigente nas negociações (não abdica de um milhão de euros e jogadores por empréstimo); por outro, Villas Boas recua, deixa de atender as chamadas de Sá Pinto e acaba por renovar com os estudantes. Os leões ainda pensam numa nova investida, mas o comportamento do técnico desagradou bastante em Alvalade. 

Etapa 5 - Viragem Bettencourt é obri- gado a rever o que tinha idealizado e pondera a opção por um estrangeiro. Pekerman, que já tinha recebido contacto exploratório, encontra-se na linha da frente, mas surge outro nome (Laudrup) entre os já badalados Adriaanse e Terim. Mas o presidente decide, de vez, que o sucessor de Bento vai mesmo ser português. 

Etapa 6 - Alternativas Bettencourt tem dois nomes em cima da mesa: Carvalhal e Paulo Sousa. Acaba por optar pelo primeiro - o acordo é fácil e surge até como desfecho natural do filme, já que o técnico do Swansea só trocaria o Reino Unido por Alvalade mediante determinadas condições que o líder não poderia oferecer. "O treinador está quase contratado e vai ser grande surpresa", assinala.

Etapa 7 - O escolhido O Sporting comunica a contratação de Carvalhal à CMVM de madrugada. Confirma-se: é uma surpresa. Bettencourt pede apoio e solidariedade ao novo treinador, que assina até ao final da época (com mais um ano de opção). Carvalhal tem pressa em falar com a estrutura, conhecer os cantos à casa e preparar o próximo encontro, com os Pescadores. Entre as conversas até assinar, há dois pontos garantidos: o salário será bem abaixo daquilo que Bento auferia (700 mil euros/ano) e vai haver reforços em Janeiro.


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