Dia do Não Fumador: medicamentos deviam ser comparticipados e vício considerado doença

por Agência Lusa, Publicado em 15 de Novembro de 2009   
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Consultas para cessação tabágica aumentam

Especialistas em tabagismo defendem que os medicamentos para ajudar a deixar de fumar devem ser comparticipados e que o vício deve ser considerado uma doença, tal como a toxicodependência, para tornar mais acessível o tratamento.

No âmbito do Dia Nacional do Não Fumador, que se comemora terça-feira, a Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) recomenda a aprovação de um decreto-lei que comparticipe os fármacos comercializados para deixar de fumar.

Esta medida permitiria, a longo prazo, “reduzir os custos com a saúde, melhorar a qualidade de vida de muitos portugueses e reduzir os níveis de morbilidade e de mortalidade devidas ao tabagismo”, defende a FPP.

Para o vice-presidente da FPP, “é necessário ir mais longe relativamente ao grupo dos fumadores activos que pretendem deixar de fumar”, que, muitas vezes, se vêem confrontado com os elevados custos das terapêuticas prescritas”.

Jaime Pinto lembra que a dependência do tabaco é um processo complexo que apresenta características típicas das doenças crónicas e que, para muitos fumadores, apresenta uma intensidade comparada à dependência causada pelos opiáceos, anfetaminas e cocaína.

Para Sofia Ravara, da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, os fumadores precisam de ser “encorajados e apoiados para ganharem confiança e acreditarem".

Para isso, defendeu, "é fundamental apoiar a cessação tabágica" através da comparticipação dos fármacos para "tornar acessível o tratamento".

"Já é tão difícil para um fumador conseguir acreditar que vai conseguir deixar de fumar, quanto mais pagar para o fazer", comentou Sofia Ravara à agência Lusa.

Esta opinião é partilhada pelo presidente do Observatório Nacional de Doenças Respiratórias e Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias: “A Organização Mundial de Saúde afirma que o tabagismo é uma doença e, como tal, os medicamentos devem ser comparticipados”.

Para Teles de Araújo, esta medida é fundamental e servirá como incentivo para mais fumadores deixarem o vício.

Já a coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) considera que se a dependência de fumar fosse assumida como uma doença "tinha um efeito pedagógico para a população", advogou.

O tabagismo é responsável por 11,7 por cento das mortes verificadas em Portugal, entre as quais, cancro, doenças cardiovasculares, complicações na gravidez e doenças de cariz respiratório e pulmonar, adianta a Fundação Portuguesa do Pulmão.

O último Eurobarómetro (Março) mostra que as políticas antitabágicas têm cada vez mais apoiantes na Europa: 84 por cento são favoráveis à interdição do tabaco em escritórios e noutros locais de trabalho fechados; 77 por cento defendem esta interdição em restaurantes e 61 por cento em cafés e bares.

Dados da Direcção-Geral de Saúde concluem que, devido à Lei de Prevenção do Tabagismo, cinco por cento dos fumadores portugueses deixaram de fumar e 22 por cento reduziram o consumo.



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