A selecção adoptou uma nova música para ouvir a caminho do estádio – “I gotta feeling”. E talvez tenha sido o som dos Black Eyed Peas a inspirar Portugal para a música que Carlos Queiroz tanto pedia: “Cheira bem, cheira a África do Sul”, pela voz de Bruno Alves, filho do ex-central brasileiro Washington. Foi “só” o segundo golo do portista na qualificação para o Mundial, mas mais uma vez surgiu na fase cirúrgica (o primeiro tinha sido marcado na vitória frente à Albânia, no último minuto). Portugal ganhou à Bósnia por 1-0 e leva uma pequena vantagem para fintar o triste fado nacional rumo ao Campeonato do Mundo de 2010. Mas tem de jogar mais. Muito mais. E contar com uma ponta de sorte (ou três, o número de bolas atiradas aos postes pelos bósnios) que, agora, não parece faltar…
Dos nomes às tácticas, não se registaram surpresas no início do encontro. Portugal, ciente da importância de marcar cedo, tentou assumir o controlo do jogo perante a postura serena da Bósnia, que não perdia uma oportunidade para quebrar o ritmo da partida. Imperou a intensidade em relação à qualidade e os minutos passavam de forma harmoniosa: tudo o que a equipa nacional fazia era “imitado” no minuto seguinte (Liedson cabeceou ao lado aos oito minutos, Ibricic cabeceou por cima aos nove; Deco viu um amarelo aos 14 minutos, Ibisevic seguiu-o aos 15…).
A ansiedade começou a tomar conta do jogo português e, com a sucessão de passes falhados por parte de Deco – primeira parte abaixo das capacidades –, as ameaças à baliza de Hasagic começaram a surgir da meia-distância de Raul Meireles e Simão. Até que chegou o momento-chave que tudo mudou – Nani recuperou mais uma bola perdida pelo número 10 luso-brasileiro, centrou para a área e Bruno Alves deu vantagem aos comandados de Carlos Queiroz com uma oportuna entrada ao segundo poste. A Luz explodiu e, nas bancadas, os adeptos davam a tal cabazada que o seleccionador pedia na antecâmara da partida. Por aí não poderiam surgir problemas, mas dentro de campo já não foi bem assim…
Salihovic deixou o primeiro aviso com um remate cruzado que proporcionou uma grande defesa a Eduardo (38’); Ibricic, cinco minutos depois, cabeceou à trave na sequência de um canto (a Bósnia tinha mais seis centímetros em média do que os pequenos guerreiros portugueses). A caminho dos balneários, os visitantes pensavam que o empate era mais justo. Mas a eficácia não se mede pela altura.
Por indicação, incapacidade técnica ou indisponibilidade, a Bósnia pouco ou nada fez após o intervalo. Portugal dominou o encontro – também porque Deco melhorou –, teve boas oportunidades para aumentar a vantagem (Liedson culminou um excelente trabalho individual com um rema de pé esquerdo por cima aos 57 minutos, no lance mais flagrante) mas golos só mesmo na bancada, ao som de uma corneta que mobilizava o apoio nacional. Dzeko, num remate às malhas laterais, dera o único sinal positivo da Bósnia – que não contará com três titulares na segunda mão por castigo – durante toda a segunda parte, até que, aos 89 minutos, o mesmo avançado acertou na trave e, na recarga, Muslimovic acertou no poste.
Entre ex-jogadores (Figo, Rui Costa ou Fernando Couto), lesionados (Cristiano Ronaldo e Bosingwa) e preteridos (Hilário, Miguel Veloso, João Moutinho e Ricardo Costa), qualidade não falta a Portugal. Fora ou dentro das quatro linhas. Mas não basta apenas dizer que se tem, deve-se também mostrar. E frente à Bósnia, nem sempre – ou quase nunca – isso aconteceu…
Ficha de jogo
Estádio da Luz, em Lisboa (60 mil espectadores)
Árbitro: Martin Atkinson (Inglaterra)
PORTUGAL (4x3x3) – Eduardo; Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Duda; Pepe, Raul Meireles e Deco (Tiago, 84’); Nani (Fábio Coentrão, 68’), Liedson e Simão (Hugo Almeida, 87’)
Suplentes não utilizados: Rui Patrício, Miguel, Rolando e Edinho
Treinador: Carlos Queiroz
BÓSNIA (3x5x2) – Hasagic; Jahic, Nadarevic e Spahic; Rahimic, Ibricic, Muratovic (Pjanic, 86’), Misimovic (Muslimovic, 81’) e Salihovic; Dzeko e Ibisevic
Suplentes não utilizados: Begovic, Berbetovic, Pandza, Medunjanin e Bajramovic
Treinador: Miroslav Blazevic
Golos: 1-0, Bruno Alves (31’)
Indisciplina: cartão amarelo a Deco (14’), Ibisevic (15’), Muratovic (38’), Rahimic (49’) e Spahic (71’)




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