Para responder à crise, a empresa Lipor inaugura hoje, na Maia, a primeira horta de subsistência do Grande Porto, onde 4 100 metros quadrados de terrenos cultiváveis são atribuídos a famílias que poderão vender os produtos biológicos colhidos.
O projecto "Horta à Porta" foi criado, em 2003, pela Lipor - Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto - dentro da estratégia da empresa de "aumentar a qualidade de vida dos cidadãos".
Segundo explicou à agência Lusa o administrador-delegado, Fernando Leite, neste momento existem já "12 hortas distribuídas pelos concelhos da Póvoa do Varzim, Maia, Porto e Matosinhos, num total de 360 talhões”.
"Numa época em que é preciso fazer frente à crise, a horta de subsistência é uma forma das pessoas encontrarem mecanismos para auferir rendimentos, uma vez que poderão vender os produtos biológicos resultantes do cultivo", disse Fernando Leite, que acrescentou ainda que os "talhões são quatro vezes maiores do que aqueles que existem nas outras hortas, tendo, cada um, 100 metros quadrados".
O administrador-delegado da Lipor afirmou que "os 41 talhões disponíveis já foram todos atribuídos", tendo sido feito um "grande esforço para dar formação especializada aos novos produtores".
"Foram dadas 36 horas de formação a cada produtor sobre vários temas relacionados com este tipo de agricultura e será feito o acompanhamento permanente no local por parte de uma engenheira agrónoma", explicou.
Fernando Leite anunciou ainda que está prevista a disponibilização de uma banca no Mercado Municipal do Castelo da Maia - localizado em frente ao local onde estão os talhões - para que as famílias possam "vender os seus produtos biológicos".
"Em resultado de uma parceria com a Câmara da Maia, os produtores estarão isentos do pagamento de taxas neste espaço de comércio", acrescentou.
O administrador-delegado da empresa disse que "a grande maioria das 41 famílias a que foram atribuídos os talhões são jovens, rondando os 40 anos como média de idade".
Segundo a empresa, os critérios para a atribuição dos terrenos de cultivo eram: "Necessidade de complementar o orçamento de famílias com mais de 3 filhos a encargo, ou com rendimento familiar anual inferior a 20.000 euros ou com pelo menos um dos elementos do agregado familiar em situação de desemprego".
Fernando Leite afirmou que "este projecto pretende dar uma resposta à crise e às pessoas, permitindo àqueles que estão desempregados estarem ocupados, auferindo ainda um rendimento extra para ajudar a equilibrar as contas da família".
O administrador-delegado da Lipor antecipou que esta primeira horta de subsistência, localizada na Maia, "é um excelente laboratório para desenvolver outras iniciativas similares".
Fernando Leite antecipou ainda que durante a próxima semana será assinado um protocolo com a Câmara de Gondomar para a criação de mais uma "Horta à Porta", aumentando para 13 o número destes espaços de cultivo.




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