Educação

Fixe este nome: Natércio. Ele vai fixar as metas dos seus filhos

por Sónia Cerdeira, Publicado em 14 de Novembro de 2009   
O Ministério da Educação vai colocar metas de aprendizagem do pré-escolar ao 12º ano. O i falou com o coordenador do projecto
Natércio Afonso é o homem a quem Isabel Alçada confiou a definição das metas da educação
Natércio Afonso, 61 anos, é o homem que vai definir metas de aprendizagem na educação, coordenando um estudo a convite da ministra da Educação Isabel Alçada. "Ainda em fase embrionária [o estudo] vai definir para cada ano e tipo de ensino as metas de aprendizagem que os alunos devem atingir, de modo a que os professores tenham um instrumento de organização do trabalho com os alunos, não sendo nenhuma norma", diz ao i Natércio Afonso. O projecto vai ser apresentado dentro de semanas à ministra.

E qual é o objectivo? "A ideia central é transformar os programas das diversas disciplinas, que estão agora organizados por conteúdos e temas em metas de aprendizagem tendo em consideração o objectivo do ciclo de estudos. Ou seja, o que os alunos têm de saber, que competências têm de demonstrar no final de cada ano de escolaridade em relação a cada disciplina", explica. Algo que será feito "a partir dos programas que existem e do currículo nacional definido de modo a compatibilizar os conteúdos programáticos com os objectivos do currículo nacional", afirma o professor associado do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

"Temos agora, por um lado, programas das disciplinas que foram feitos nos anos 80 e, por outro, o currículo nacional que foi feito nos anos 90. Há uma certa incongruência ou falta de adaptação entre os dois documentos orientadores para o trabalho dos professores."

O estudo abrange diferentes fases de ensino, do pré-escolar ao 12º ano. Natércio Afonso garante ao i que a "orientação da ministra é ter, pelo menos, uma primeira fase do trabalho pronta no final do ano lectivo, Maio ou Junho, de modo a que se possa desenvolver o programa no início do próximo ano lectivo num conjunto de escolas que estejam disponíveis para experimentar". Para tal, serão seleccionadas disciplinas-chave do currículo para se iniciar o programa.

A equipa de especialistas e professores das diversas áreas de ensino serão escolhidas pelo próprio coordenador do projecto. Até agora, só Maria Roldão, professora aposentada da Escola Superior de Educação de Santarém, foi contactada e aceitou o convite.

Paz na educação A relação entre Natércio Afonso e Isabel Alçada remonta à década de 70, altura em que foram colegas como orientadores de estágio. Já depois fizeram mestrado na mesma universidade.

"Conheço-a já há bastante tempo, provavelmente foi essa a razão porque ela me endereçou o convite", avança o professor tem um percurso desde sempre ligado à educação. Lecciona no Instituto de Educação há 11 anos e é membro do Conselho Científico para a avaliação de professores. Foi antes dirigente do ministério da Educação, inspector-geral de Educação e também vice-presidente do Instituto de Inovação Educacional. Fez a sua formação em Política e Administração Educacional na Universidade de Boston, nos EUA.

Para o professor, Isabel Alçada tem características que permitirão apaziguar a classe dos professores: "Tem capacidade de negociar e conhece profundamente a profissão porque foi professora do ensino básico e através da actividade de escritora é muito conhecida entre os professores.". "Chegou a ser dirigente sindical e, portanto,tem uma proximidade com o mundo da educação que a faz ser mais sensível às perspectivas e à própria identidade dos professores." Contudo, Natércio Afonso alerta: "Isso não basta. Para haver acordo, tem de haver passos mútuos."


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